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5 de jul. de 2013

ENTREVISTA COM A MONJA COEN




27 de mai. de 2012

JUDAÍSMO E BUDISMO DIALOGANDO EM PAZ


Diálogos de paz!
Moré Ventura (Judaísmo) e o Reverendo Kazuya Nagashima e Maria Hiromi (Budismo Risho Kossei kai).




9 de fev. de 2012

REV. KAZUYA NAGASHIMA E O BUDISMO RISHO KOSSEI KAI



Reverendo Kazuya Nagashima.

Sua simpatia, sua educação, sempre com um sorriso natural em seu rosto e uma atenção amorosa ao falar e ouvir. Isso também somado à querida interprete e também amiga Maria Hiromi, e dos também especiais Srs. Mikio Kishi e a Sra. Nicia Kishi. Há pessoas que podem falar outras línguas que não entendemos como é o caso do Reverendo Kazuya que é natural do Japão, mas acima de tudo, fala com alegria e com o coração que é a linguagem universal.

Neste post, o querido Reverendo Kazuya Nagashima nos esclarece pontos principais do Budismo e da Risho Kossei-kai do Brasil, e também temas como o diálogo inter-religioso.

O Reverendo Kazuya diz que suas declarações são de caráter pessoal e de sua inteira e exclusiva responsabilidade, não sendo respostas oficiais da Igreja Risho Kossei-kai do Brasil.


Seguem as perguntas:

1) Reverendo Kazuya Nagashima, quando surgiu e quais as particularidades do Budismo Risho Kossei-kai?

A Risho Kossei-kai foi fundada no dia 5 de março de 1938, pelo Mestre Fundador Nikkyo Niwano e pela Co-fundadora Myoko Naganuma. No início havia apenas 30 membros. Atualmente temos no mundo todo, cerca de 1.380.000 famílias-membros (dados de 31 de dezembro de 2010). São 238 igrejas no Japão, 65 igrejas e regionais espalhadas em 21 países. A matriz da Risho Kossei-kai se localiza em Tóquio, no bairro de Suguinami.

Creio que existam no geral, três particularidades na Risho Kossei-kai:

1- É uma organização de budistas leigos.

2- Tem como objetivo a formação de uma organização Shakyamuni moderna, que tem como foco de devoção o Grande Beneficente Mestre e Senhor Shakyamuni, o Eterno Buda.

3- Tem dado propulsão ao trabalho inter-religioso.


Gostaria de explicar as três particularidades.

A primeira, de que é “uma organização de budistas leigos” significa que aprendemos o ensinamento de Buda dentro da vida diária, praticando e disseminando. Em outras palavras é a “vida diária concomitante com a fé”. Não é o pensamento de se fazer a prática sozinho, isolado de todos, ou obter a iluminação sozinho. É o espírito de “eu obter a salvação junto com as pessoas”, vivendo a vida diária na companhia de bons amigos. Em relação ao “aprendizado na vida diária”, significa receber uma orientação concreta baseada no ensinamento de Buda, para ser salvo das preocupações e sofrimentos; ter a oportunidade de passar pela experiência do aprendizado do budismo vivo – é ter a oportunidade de aprender o ensinamento através da experiência. Por essa razão, achamos importante essa característica de ser uma “organização de budistas leigos”.

A segunda particularidade é que o foco de devoção da Risho Kossei-kai é o Grande Beneficente Mestre e Senhor Shakyamuni, o Eterno Buda. Numa visão mais ampla, a denominação “Buda” contém quatro significados: 1- Shakyamuni (Sidarta Gautama), aquele que elucidou a Verdade; 2- a Verdade; 3- a Lei; 4- “A vida em sua origem” ou “A grande vida do universo”. O significado de Buda muda conforme o contexto. Esse “Buda” é representado em forma como Grande Beneficente Mestre e Senhor Shakyamuni, que é o foco de devoção entronizado em nossa igreja. Dentro das organizações budistas existem aquelas que possuem um diferente foco de devoção. Nós consideramos Shakyamuni Buda (Sidarta Gautama), aquele que nasceu há cerca de 2500 anos no norte da Índia e elucidou a Verdade, o fundador do budismo. Nós aprendemos o ensinamento e a compaixão elucidados por Shakyamuni Buda e os reproduzimos na era atual, vivificando a nossa vida diária.

O significado da terceira particularidade é o seguinte: objetivar a própria salvação junto com a salvação do bairro e do mundo. Em outras palavras, uma das nossas missões é a realização da paz do mundo. A realização da paz do mundo não se consegue apenas com uma religião. O Mestre Fundador Niwano, da Risho Kossei-kai, nos deixou palavras que dizem respeito a isso: As religiões que querem guiar as pessoas à felicidade podem ter formas, estilos e ensinamento diferentes na superfície da terra, mas debaixo dela surgem a partir de uma mesma raiz. Tendo como base este pensamento, a Risho Kossei-kai tem dado propulsão ao trabalho inter-religioso.


2) Qual foi a maior mensagem que Buda nos trouxe?

“Maravilhoso! Maravilhoso! Todos os seres vivos possuem a sabedoria e a compaixão de Buda, mas não as percebem devido aos seus apegos, desejos e ilusões.”

Foram as palavras que Shakyamuni Buda proferiu quando atingiu a iluminação, há 2500 anos, no dia 8 de dezembro, no momento em que brilhou a estrela d´alva.

Após ter atingido a iluminação e durante cerca de 45 anos, Shakyamuni Buda viajou pelos lugares para salvar as pessoas. Na época, a viagem pelo grande solo da Índia era feita a pé. Dizem que a sola dos seus pés ficaram duras e planas. Então por que Shakyamuni Buda partiu em viagem?

Foi porque Shakyamuni Buda observou que muitas pessoas estavam sofrendo, vítimas de seus desejos, ilusões e apegos. Shakyamuni Buda transmitiu a todas as pessoas que elas possuíam a mesma sabedoria e compaixão de Buda, e creio que havia um forte desejo de querer que as pessoas pudessem viver a vida dentro da verdadeira felicidade como ser humano.

Se Shakyamuni Buda não tivesse tido a iniciativa de fazer a disseminação do ensinamento, não existiria o budismo. Sendo assim, creio que a mensagem principal de Buda tenha sido: “Maravilhoso! Maravilhoso! Todos os seres vivos possuem a sabedoria e a compaixão de Buda, mas não as percebem devido aos seus apegos, desejos e ilusões.”


3) No Budismo há diferentes denominações, como há no Cristianismo?

Sim, existem muitas ramificações. De acordo com a história do budismo, Shakyamuni Buda faleceu no ano 543 A.C. Pouco antes do ano 300 A.C iniciam-se as ramificações básicas. Surgem o budismo Theravada (conservadores) tendo a liderança dos veteranos, e o budismo Mahayana (renovadores) liderado pelos monges jovens. A partir dessa ramificação básica, iniciam-se outras ramificações. No início do ano 1 A.C acontece o movimento do budismo do Grande Veículo. Este é o movimento do grupo denominado Mahayana.

No ano 1~2 estabelecem-se os primeiros Sutras Mahayana (Hanyakyo, Kegonkyo, Hokekyo, Jodokyoten, Yuimakyo). O budismo foi transmitido a vários países a partir do norte da Índia, onde Shakyamuni Buda alcançou a iluminação. O budismo Theravada foi transmitido aos países do sul (Tailândia, Sri Lanka, etc.) e o budismo Mahayana foi transmitido aos países do norte (Tibete, China, Coréia, Japão). Nos países transmitidos surgiram o budismo próprio de cada país. Por exemplo podemos dizer budismo tibetano, budismo chinês, budismo japonês, budismo tailandês. Mesmo o budismo do Japão se dividiu em várias seitas religiosas: Zenshu, Shinshu, Jodoshu, Jodoshinshu, Jishu, Nichirenshu, Tendaishu, etc.

Existem várias teorias em relação às ramificações, mas no geral diz-se que o ensinamento elucidado por Shakyamuni Buda era por demais imenso e tolerante. Mas o ensinamento ou o modo de pensar em relação aos “Três Selos da Lei” e à “Homenagem aos Três Tesouros”, que são considerados a estrutura do budismo, é comum em qualquer país ou seita que se diz budista.


4) Há algum livro sagrado no Budismo?

Sabe-se que existem no budismo 84.000 sutras. Isto significa que existe um incontável número de sutras. Entretanto, parece haver uma teoria estabelecida no mundo do budismo atual de que dentre tantos sutras, o mais precioso é o “Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa”.

Ao observar a história do Sutra, é fato de que durante a vida de Shakyamuni Buda não existia o papel, portanto não existia o Sutra, e todo o ensinamento foi transmitido oralmente pelos discípulos. Setecentos anos após Shakyamuni ter entrado no Nirvana, os monges de alto escalão da época se reuniram, verificaram a veracidade de cada ensinamento, e após anotarem, foi confeccionado o Sutra.

Shakyamuni Buda renunciou a sua vida comum aos 29 anos e obteve a iluminação aos 35 anos. Até a sua morte aos 80 anos, durante 45 anos, disseminou o ensinamento através da salvação das pessoas. Muitas pessoas se tornaram discípulos desse maravilhoso ensinamento e prestaram homenagens a ele, mas sabe-se que no período dos últimos oito anos até a sua morte é que foi elucidado o ensinamento final e mais profundo, que é o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

5) Reverendo Kazuya, o que tem a dizer sobre o Diálogo Inter Religioso?


Tenho como aprendizado de que a religião, de modo geral, possui dois objetivos ou funções. O primeiro objetivo é o “aperfeiçoamento da disciplina pessoal” e o segundo é a “realização da paz do mundo”.

Quanto ao objetivo do “aperfeiçoamento da disciplina pessoal” inclui-se nele a função de cada um se tornar o guia, o manual das pessoas, em direção ao estabelecimento da visão da vida e da solução do sofrimento que cada um enfrenta. Creio que o papel da religião está em tornar clara a direção que as pessoas devem tomar enquanto trilham suas vidas.

Em relação ao segundo objetivo, a “realização da paz do mundo”, o importante é saber que “nós não conseguimos viver sozinhos”. Nós acabamos percebendo que nossa vida é preservada no relacionamento pessoa-pessoa ou pessoa-natureza. Acreditamos que a ordem e a harmonia desses relacionamentos seja a “paz”. Nesse sentido, a paz da sociedade e do mundo é um tema que sempre procuramos para podermos viver felizes. Para podermos obter a paz da sociedade e do mundo precisamos nos tornar pessoas que constroem ativamente essa paz. Entretanto, é realidade que uma religião sozinha não possa construir essa paz. Se tentarmos criar uma situação como essa, isso sim, se tornará um problema.

Pensando dessa forma, para tornar concreta a “paz do mundo”, será indispensável o “diálogo inter-religioso”. Creio que há necessidade de trilharmos juntos o caminho para a realização da paz do mundo. Assim como os bons amigos se respeitam e colaboram mutuamente, as religiões também devem ter esse respeito, amizade e cooperação.

No budismo existe o pensamento “Shuugoo”. “Shuu” significa várias pessoas; “goo” significa ação. Como problemas em escala mundial, temos “o problema do meio ambiente”, “o problema do aquecimento global”, “o problema populacional”, “o problema alimentar”, “o problema nuclear”, “o problema das guerras entre norte e sul”, etc. Creio que podemos dizer serem esses problemas criados pela humanidade. Portanto, não são problemas que possam ser solucionados por uma pessoa. Não conseguiremos enxergar à frente se as pessoas não tiverem a visão de humanidade para a solução dos problemas. Ao mesmo tempo, o budismo entende que ao se observar bem os problemas, existe, no fundo da alma de cada pessoa, uma causa básica de todos os problemas. Creio que só a religião possa transmitir esse modo de pensar. A religião consegue ensinar o modo de pensar e viver que vai além dos interesses pessoais e do país. Para que as religiões possam colaborar, é indispensável o “diálogo inter-religioso”.

Para o diálogo inter-religioso, acredito ser importante dois sentimentos: o “sentimento de aprendizado” e o “sentimento de cooperação”.

O primeiro, “o sentimento de aprendizado” é também o sentimento de “não competir, não comparar, não conflitar”. O diálogo inter-religioso existe para a realização da paz do mundo e não para competir a superioridade ou inferioridade das doutrinas. A partir do diálogo, aprende-se o que há de maravilhoso no próximo, inclui-se na sua própria fé, e para ativar-se o movimento é que existe o “diálogo inter-religioso”. Acredito que através do diálogo, as entidades religiosas ativas possam ser uma grande mola propulsora em direção à paz do mundo.

O segundo, o “sentimento de cooperação” significa o trabalho conjunto em direção à paz do mundo (movimentar o corpo). O Mestre Fundador Niwano da Risho Kossei-kai nos orienta com as palavras: “O casal não se coloca frente a frente mas lado a lado, objetivando a mesma meta.”. Como ficará a frase acima se trocarmos a palavra “casal” por “entidades religiosas”? A questão não é procurar pontos fracos, comparar, competir com o outro mas estar lado a lado objetivando a mesma meta. Creio que é para isso que existe o “diálogo inter-religioso”. Esta meta é “a realização da paz do mundo”, e o “objetivar” é “andar (entrar em ação ou trabalhar) e isso é exatamente a “cooperação”. O mundo aguarda a religião que irá trabalhar para a paz de todos os seres vivos e para a paz da humanidade. Como um dos membros da Risho Kossei-kai, pretendo continuar com o diálogo inter-religioso para poder dar um retorno a essa esperança do mundo.

Agradeço profundamente pelas perguntas. Eu me sentirei muito feliz se puder, pelo menos um pouco, compreender sobre o budismo e a Risho Kossei-kai, a partir das minhas declarações. Muito obrigado.

Igreja budista Risho Kossei-kai do Brasil

Reverendo Kazuya Nagashima


Quer conhecer mais o Budismo Risho Kossei-kai do Brasil?

Eu Douglas, já tive a honra de conhecer este belíssimo Templo, bem estruturado e que possui um ambiente muito harmonioso, e que transmite uma grande paz interior.

Visite-os, e vão ser muito bem recebidos.

IGREJA RISHO KOSSEI-KAI DO BRASIL
Rua Dr. Jose Estefno, 40 - V.Mariana
São Paulo - SP Cep 04116-060
Tel.5549-4446 e 5573-8377
Fax.5549-4304
email: risho@rkk.org.br

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18 de jan. de 2012

SABEDORIA BUDISTA

DALAI LAMA responde:

Quantas religiões são suficientes para a humanidade?

É possível ter espiritualidade sem ter religião?

Qual é o caminho da felicidade?




16 de dez. de 2011

NÓS NÃO TEMOS RELIGIÃO





Este é um pequeno conto sobre minha conversa com um espírito “caboclo” [1] incorporado na médium que ministra o curso de correntes magnéticas [2] do qual eu participei, e estava então na sua penúltima aula, quando temos a oportunidade de fazer perguntas diretamente a um espírito de luz [3], ou pelo menos ao mentor de uma médium já experiente.


Não sei bem porque, mas mesmo entre os estudantes mais experientes, quase ninguém pergunta sobre questões mais abrangentes, a grande maioria aproveita para perguntar sobre questões pessoais, sobre o futuro, sobre os “mortos”, sobre pedidos de ajuda a Deus, etc., ou seja – exatamente o tipo de pergunta que um espírito de luz não irá responder, pois sabe que cabe somente ao ser em si julgar o que deve fazer de sua existência, assim como cabe aos “mortos” se dirigirem aos “vivos”, e não o contrário. Mas isso não é uma crítica, apenas uma constatação.


Sem grandes expectativas acerca da resposta, que imaginei ser mesmo breve, quando me aproximei da médium incorporada e ela me dirigiu a atenção, perguntei:


“Olá minha irmã. Gostaria de fazer uma pergunta sobre vocês, e não sobre mim. Gostaria de saber qual a religião de vocês. E gostaria de saber se vocês têm uma resposta para o motivo de tantos de nós guerrearem e se matarem por causa de religião. Você teria um conselho sobre como eu poderia, através do que escrevo, ajudar a aproximar as pessoas de religiões contrárias?”


O espírito, do qual sequer sei o nome, e que até então falava com um sotaque quase incompreensível, me respondeu com um longo e inesquecível ensinamento, do qual entendi cada palavra de forma cristalina:


“Meu filho, nós não temos religião. Nós seguimos a Deus. Quem segue a Deus não se preocupa em ter religião, apenas realiza a Deus dentro de si [4].


Quando Siddharta Gautama [5] viu as pessoas sofrendo fora de seu palácio, ele não se tornou um peregrino para fundar o Budismo. Ele tão somente seguiu a Deus. O Deus que via refletido nos outros, e que acabou por realizar dentro de si.


Todo o sábio, todo o ascencionado, apenas realizou a Deus dentro de si mesmo, para então realizá-lo também no mundo, através de suas ações de amor.


Quando os hindus investigaram seus deuses, acabaram por encontrar a Brahma, o criador do universo, e alguns também conseguiram realizar a Brahma dentro de si. Outros criaram as castas, e dividiram os irmãos segundo a lei do homem, mas contra a lei de Deus. Para Deus não existem castas, meu filho.


Esses que brigam uns com os outros por causa de religião, brigam em nome de Deus, mas não brigam com Deus. Deus não está presente em brigas, Deus não poderá nunca se realizar em quem maltrata um irmão.


Mas, para chegar à realização de Deus dentro de si, é preciso do outro. É preciso essa troca (nesse momento ela colocou a mão um pouco acima de meu coração, e trouxe minha mão para a mesma região do corpo da médium – nesse momento a sensação peculiar de “fluxo de energia” se intensificou bastante).


Por isso, meu filho, somos todos irmãos, estamos todos ligados. O Deus de um só pode ser o Deus de todos, e a realização de um é também a realização de todos, é uma festa no céu.


Para acabar com essas brigas de religião, basta ensinar aos seres sobre Deus. Não o “deus” que eles pensam ter encontrado, mas esse Deus cósmico que preenche a cada um de nós. Quando todos realizarem a Deus dentro de si, não será mais preciso ter religião.


Vai em paz meu filho. (nesse momento, ao me despedir, eu beijei as mãos da médium, e o espírito, comandando seu corpo, retribuiu – beijando também as minhas mãos)”



Sim, foi inesquecível...


Eu bem sei que cada espírito, assim como cada ser encarnado, fala apenas do que sabe, e nada mais. Exatamente por isso, analiso a comunicação com os espíritos não pelos nomes que evocam (Deus, Jesus, Ave Maria, etc.) ou pelas “frases prontas” que repetem (na maioria, repetições dos evangelhos), mas pela real profundidade espiritual do que dizem.


Apesar de um espírito classificado como “caboclo” ter demonstrado conhecimento de budismo e hinduísmo, e ter falado de forma tão bela sobre Deus, ele não disse exatamente nada de novo. O que me importou, entretanto, foi à forma como ele disse o que disse. Infelizmente não sou hábil o bastante com as palavras, essas cascas de sentimento, para lhes passar exatamente a forma com que isso foi dito... Por isso também se diz que o caminho espiritual deve ser trilhado por cada um, individualmente, pois é impossível transmitir aos outros experiências deste tipo.


No entanto, este conto é tão somente minha tentativa de transmitir a você uma parte do que senti [6] naquele momento.


***


[1] Diz-se que um espírito é “caboclo” quando em suas últimas encarnações pertenceu a tribos indígenas. Eles se distinguem, independente da evolução espiritual, pela alta familiaridade com a natureza, e a dificuldade de compreender e se comunicar sobre assuntos modernos, urbanos.

Também vale lembrar que a prática de incorporação vem da Umbanda Sagrada, e não do Espiritismo. Ou seja, o centro espírita onde isso ocorreu é um centro ecumênico, e não ortodoxo.


[2] Eurípedes Barsanufo foi um grande educador, jornalista e espírita da virada do século 19 para o 20. O curso de Correntes Magnéticas é publicado pela editora Auta de Souza, e segue as técnicas iniciadas por Eurípedes décadas atrás.


[3] Essa classificação da literatura espírita é na maior parte das vezes julgada erroneamente por não-espíritas. Quando se diz que um espírito “é de luz”, se quer dizer que ele demonstra ter grande sabedoria e espiritualidade, e não que ele é alguma espécie de arcanjo, ou alguém em posição superior aos demais espíritos. E muito menos que a “luz” tem qualquer referência a sua cor de pele, até mesmo porque espíritos não têm pele.


[4] A palavra religião vem do latim re-ligare e significa “religação a Deus ou ao Cosmos”. Já a palavra igreja vem do grego ekklesia (ou do latim ecclesia) e significa “comunidade dos escolhidos por Deus”. Acredito que, no contexto do que o espírito disse, o significado ficaria melhor traduzido como “nós não temos igreja” – entretanto, achei melhor manter a resposta conforme foi ditada originalmente, inclusive para o título deste conto, até mesmo porque eu mesmo esqueci de usar “igreja” (ao invés de “religião”) em minha pergunta. Em todo caso, mais importante do que se ater as palavras, é se ater aos significados.


[5] Trata-se do Buda. Devo confessar que originalmente pensei em perguntar sobre o conhecimento dos espíritos das religiões orientais, como o Budismo e o Hinduísmo. Não sei se o espírito “leu minha mente”, mas terminou por incluir esse conhecimento em sua resposta, tornando-a ainda mais inesquecível para mim.


[6] A compreensão espiritual não se dá apenas pelo que vemos e ouvimos, mas pelo que realmente sentimos através de nosso espírito, de forma abrangente. Entenda quem tiver ouvidos para entender.


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Crédito da foto: Laura Monteiro



 


Fonte: O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais (raph.com.br)


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7 de jan. de 2011

HIERARQUIA ESPIRITUAL DA TERRA

O Supremo Regente planetário é um Espírito, conhecido através das várias religiões, com nomes diferentes. Na cultura Védica, por exemplo, (e mais antiga), como SRI BHAGAVAN NARÁYANA, Governador da Terra, possuidor de todos os Poderes Materiais e Espirituais. Esse Excelso Ser é a Entidade maior de Deus em nosso mundo (planeta Terra). JESUS, o Cristo, referia se a esta Divindade como "o Pai". Naráyana, dentro do sistema cósmico, juntamente com todos os outros Naráyanas, (um para cada planeta, mesmo naqueles em que não existe vida tal como a concebemos), estão submetidos à regência de BRAHMAN (o Criador), que é o Supremo Regente deste Universo, O qual, por sua vez, juntamente com outros Brahmans (um para cada Universo), estão vinculados ao Poder Supremo do Para-brahman, o Absoluto, o DEUS ÚNICO, raiz de tudo o que existe, material e espiritual, Fonte de Vida de todos os seres e todas coisas, sem estar limitado nem mesmo pela totalidade de Suas criações.

Vamos, agora, abordar a manifestação divina em nosso planeta.Todas as tradições religiosas fazem menção, em suas sagradas escrituras, referências sobre este misterioso Ser, que não possui genealogia, nem história, em razão de nunca ter tido nascimento físico, mas é reconhecido como o protetor do Dharma ( Lei ), o Supremo Regente da Hierarquia Divina, o Qual promove a descida dos Grandes Sacerdotes (Salvadores ou Avataras) da Humanidade. Vide, por exemplo:na Bíblia, o nome atribuído a este Espírito é Melquisidec (velho e novo testamento); Logos, nas tradições gregas; Naráyana, na epopéia do Mahabhárata; Alah, no Islamismo; Amithaba, no Budismo; Jeovah, em algumas correntes hebraicas e cristãs e etc.

Na realidade, são nomes diferentes dados ao MESMO ESPÍRITO. O segundo Ser na Hierarquia é SRI YOGA DEVI, detentora das energias criadoras, que atua nos planos materiais e espirituais. Também aqui, inúmeros nomes possui esta Divindade, tais como: Rainha dos Anjos, Maha Devi, Durga,Ísis, Mãe Divina ou Espírito Santo, dependendo, sempre, das tradições místicas ou religiosas. Essa Divindade é a executora da Vontade do Supremo Regente, da qual é inseparável, em toda sua atuação, cuja natureza é criar, gerar, nutrir, dar vida e bênçãos. O terceiro grau da Hierarquia é constituído de Excelsos Seres, os quais cuidam da evolução moral e espiritual da Humanidade e é formado pelos AVATARAS, também conhecidos como Encarnações Divinas. São Missionários que descem ao plano terrestre, muito inferior ao grau em que se encontram, para ensinar, guiar e purificar os seres que aqui vivem, tornando possível a evolução, preservação e reintegração da Humanidade no Plano Divino.

As mais conhecidas Encarnações Divinas, no grau de Avataras são: KRISHNA, RAMA, GINA, LAO TSE, MOISÉS, HERMES, BUDA, JESUS CRISTO e MAOMÉ; e, vivendo já entre nós (de forma oculta), encontra se BHAGAVAN MITRA DEVA (o amigo divino), cuja missão é unificar todo o planeta, eliminando as barreiras do fanatismo, preconceitos religiosos, raciais, de sexo e de toda classe de separatividade entre os seres humanos. É um Avatara oculto, que atua na mente e no coração da Humanidade, em todos aqueles que possuem boa vontade, amor ao próximo e sentimentos de fraternidade, valores espirituais que devem prevalecer sobre os aspectos extremistas religiosos e sociais que, infelizmente, ainda infestam nossa humanidade. Ele é "Aquele" esperado de todas as nações e de todas as religiões, o "Consolador" das escrituras cristãs, o "Messias", do Judaísmo, o "Mahdi" da religião muçulmana, ou o "retorno ou vinda do Cristo" , nas citações evangélicas.

Nascido em 16 de Janeiro de 1919, na região de Maharastra, na Índia, sua sagrada Missão começou com apenas quatro anos de idade, de forma transcendental; não veio em nome de nenhum Avatara do passado, mas prega a essência pura das doutrinas de todos Eles. Vive na região de Badari, na parte setentrional dos Himalaias, em uma comunidade de Sábios e Grandes Mestres, localidade inacessível ao homem comum. O seu Advento, previsto em todas as escrituras religiosas dos povos, também foi profetizado pelos Maiores da Fraternidade desde l450 dC e que Sua manifestação ocorreria nos primórdios do século XX. Sua Missão, diferente dos Avataras públicos (Krishna, Buda, Jesus e outros) que mantiveram contato direto com os homens, para exporem suas doutrinas redentoras, Mitra Deva tem uma função universal junto à Humanidade, como Unificador da Lei Eterna.

Embora desconhecido pela imensa maioria dos homens (com exceção dos Iniciados de algumas religiões), Sua atuação em nosso mundo, todavia, é incontestável, senão vejamos: nos últimos oitenta anos, a humanidade atingiu níveis elevadíssimos de progresso, nas áreas sociais, nas Ciências, Artes, Filosofia de vida, Educação, Religião etc, que não havia atingido nem na soma dos últimos vinte séculos.

Proporcionou a descida de grandes almas (Mestres de áreas espirituais e materiais) em quase todos os países para servirem de canal de Seu trabalho no mundo; após a Segunda Guerra Mundial, propiciou a constituição da ONU e assim tivemos o primeiro mecanismo de direitos e deveres das nações, possibilitou os passos iniciais no intercâmbio entre as religiões (Ecumenismo); a eliminação das barreiras e preconceitos contra as mulheres; ativou o progresso na tecnologia das comunicações e dos transportes, o estudo para a formação de núcleos continentais na política; a necessidade de se facilitar o acesso das pessoas entre localidades diferentes e está criando condições para estabelecer moeda única entre os países do mesmo bloco continental. O trabalho de Mitra Deva, o Anjo Encarnado, prosseguirá ainda por muito tempo, até a completa consumação de Seus propósitos divinos: a fraternidade universal e a formação da Nova Humanidade, neste novo milênio. Para melhor compreensão das mensagens dos Grandes Missionários, dentro do nosso esquema evolutivo, damos abaixo um quadro dos principais Avataras da Suddha Dharma Mandalam (Grande Fraternidade Branca) neste ciclo do Kali Yuga (Idade do Ferro):

KRISHNA - Avatara da Síntese
RAMA - Avatara da Síntese
MOISÉS - Avatara do Dever
BUDA - Avatara da Sabedoria
LAO TSE - Avatara da Sabedoria
JESUS - Avatara do Amor
MAOMÉ - Avatara do Dever
MITRA DEVA - Avatara da Síntese

Fonte: Site Raja Yoga

15 de dez. de 2010

PRINCÍPIO DO SER

É possível para nós alcançar o nirvana? O fato é que vocês são o nirvana. O nirvana está à disposição de vocês vinte e quatro horas por dia. É como a onda e a água. Vocês não precisam procurar o nirvana em outro lugar ou no futuro. Porque já são ele. O nirvana é o princípio do seu ser.

Uma das maneiras de alcançar o mundo do não-nascimento e da não-morte é alcançar o mundo do nascimento e da morte. Seus próprios corpos contém nirvana. Seus olhos, nariz, língua, corpo e espírito contém nirvana. Se se aprofundarem bastante nele, alcançarão o princípio dos seus seres.

Se pensam que só conseguirão alcançar Deus abandonando tudo no mundo, duvido que conseguirão alcançá-lo. Se estiverem buscando o nirvana rejeitando tudo que existe em vocês e à sua volta, ou seja, forma, sentimentos, percepção, concepções mentais e consciência, não conseguirão atingir o nirvana de maneira alguma. Se eliminarem todas as ondas, não haverá água para tocar.

Thich Nhat Hanh (Vietnã, 1926 ~)
“Jesus e Buda, irmãos”, cap. 1

Fonte: Blog Samsara

26 de nov. de 2010

MONJA COEN E A TOLERÂNCIA RELIGIOSA



8 de jun. de 2010

CONHECENDO O BUDISMO RISHO KOSSEI-KAI

Conheça abaixo um pouco da história do Budismo Risho Kossei-Kai.

Aproveitamos a oportunidade de enviar um abraço fraterno ao nosso amigo do UNILUZ o Rev. Kazuya Nagashima.

A Risho Kossei-kai é uma organização de budistas leigos, fundada no dia 5 de março de 1938 pelo Fundador Nikkyo Niwano e pela Co-Fundadora Myoko Naganuma. Esta organização se baseia nos ensinamentos do Buda Shakyamuni e tem o Tríplice Sutra de Lótus (“Sutra dos Inumeráveis Significados”, “Sutra de Lótus da Lei Maravilhosa” e o “Sutra da Meditação sobre o Bodhisattva Virtude Universal”) como base dos ensinamentos. Atualmente tem como Presidente Nichiko Niwano, e conta com 1.760.000 adeptos (atualizado em 31 de Dezembro de 2006) espalhados em 239 igrejas pelo Japão, 7 igrejas, 7 sedes e 1 associação-irmã fora do Japão, recebendo com alegria o ensinamento.

O Mestre Fundador Nikkyo Niwano nos revelou com palavras do cotidiano o ensinamento do Budismo e o verdadeiro sentimento de Shakyamuni Buda. O Fundador Nikkyo Niwano não só fez a revelação como também viveu ele próprio conforme o ensinamento, nos dando o exemplo de “como podemos viver uma vida maravilhosa, praticando o ensinamento de Buda”. Assim, vivemos uma vida comum, ao mesmo tempo que podemos conhecer e aprender o verdadeiro sentimento de Buda. Muitas e muitas pessoas foram iluminadas pela orientação do Mestre Fundador Niwano e do atual Mestre Presidente Niwano.

O Brasil e o Japão apresentam diferenças diversas nos aspectos político, econômico, social e cultural. Portanto, algumas pessoas podem pensar que no Japão o ensinamento é bem compreendido e no Brasil não há a mesma compreensã. Mas a “Verdade é única”. No mundo, aliás no planeta, onde quer que seja, o que não é compreensível não podemos dizer ser a “Verdade”. O ensinamento de Shakyamuni Buda é o ensinamento da “Verdade”. As “Palavras” do Mestre Fundador Niwano também são “Verdades”. Portanto, mesmo no Brasil, o “Ensinamento de Shakyamuni Buda” está vivo, e as palavras do Mestre Fundador Niwano, que nos revelou o significado verdadeiro desse ensinamento, também estão vivas.

Somos amigos que aprendemos, praticamos e sentimos o ensinamento de Buda dentro do nosso cotidiano. Na Igreja Risho Kossei-kai existem o “Budismo Vivo” e o “Budismo Novo”. A Igreja Risho Kossei-kai é uma associação religiosa aberta. Se você está pensando: “Quero sentir de perto a Verdade e a Lei”, por favor, venha nos fazer uma visita. Vamos estudar juntos o ensinamento de Buda e vamos ser felizes!


Reverência
Igreja Risho Kossei-kai do Brasil
Reverendo Takayuki Nagashima


Fonte: http://www.rkk.org.br/




25 de mai. de 2010

PRATICAR MISTICAMENTE E SEM SE APEGAR

Buda disse: Chi-Bu-Ti, um Bodhisativa que alcançou a iluminação ou obteve o TAO deve praticar doação sem apegar-se u sem visar retribuição. Para não se apegar á doação, deve ter pureza e tranqüilidade dos seis sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato e pensamento) ou não ser influenciado por esses sentidos na hora da doação, isto é, doar independentemente do que sentir e nem guarda-lo no pensamento.
Buda ainda disse: Chi-Bu-Ti, deve-se doar segundo a sua bondade natural ou seu verdadeiro “Eu”, sem guardar o ato da doação ou esperar recompensa. Sabe porque? Porque ao memorizar a doação já terá apego a imagem. Tendo apego a imagem da doação a caridade é limitada, pequena ou de pouca duração. Quando a doação é feita sem apego ou sem guarda-la no pensamento, a caridade é ilimitada, grande ou de muita duração. O espaço rumo á direção lesta, você pode mensura-lo com seu pensamento? Chi-Bu-Ti respondeu: ñ. Buda perguntou novamente: Chi-Bu-Ti, os espaços em direção a Sul, Oeste, Norte, em cima e em baixo, poderia estima-los com pensamento? Chi-Bu-Ti respondeu que ñ.
Buda disse: Chi-Bu-Ti, o que um Santo que não se apega á doação ganha de caridade, é comparado aos espaços de todas as direções que são imensuráveis. Chi-Bu-Ti, quem anda no caminho da purificação deve permanecer e agir com o seu verdadeiro “Eu”, naquele lugar que ensinei, para eliminar os pensamentos incorretos e não ter apego nas doações feitas. Assim, não precisará pedir nada.
COMENTARIO: Ter pureza e tranqüilidade do dos seis sentidos é não praticar os itens a seguir: Visão (cor) – Doar para receber adulação dos outros, para ostentar diante de outrem. Audição (som) – Doar para receber elogios, fama. Olfato (cheiro) – Doar para receber o sustento e assistência de outrem.
Paladar
Tato
– Doar para receber comida gostosa. – Doar para receber prazer ou conforto oriundo do tato.
Pensamento lhe tratar melhor.
– Doar para ter o pensamento de que os outros vão lhe dar mais importância,
Agir misticamente é agir sem sentir o que fez ou embora tenha feito não se apegar ao que fez.
Falou cisão em 1° lugar, pois a visão é a locomotiva dos seis sentidos. Se a visão for pura e tranqüila os outros cinco sentidos serão mais fáceis de se comandar. Além disso, é mais fácil de ser contaminada.
Doar é para ter mais sorte ou ganhar algum beneficio. Com medo de que as pessoas interpretem erroneamente que doar sem se apegar é doar sem nada a receber, que Buda disse “quem doar sem pensar em recompensa terá mais sorte ou muito mais recompensa, como o espaço imensurável, do que quem pensa em ter recompensa”.
Este capitulo incentiva a não se deixar influenciar pelos seis sentidos na doação e praticar o mérito ou caridade externa sem se apegar, como um espelho que reflete a imagem de um objeto colocado á sua frente. Quando esse objeto é retirado, não há mais nenhuma imagem refletida no espelho.

Fonte: Livro O Sutra do Diamante - Com explicação

Pra quem é cristão, me recordo das palavras do Cristo: "Que vossa mão esquerda, não saiba o que dá a direita" ou "Se os teus olhos tiverem luz, todo o teu corpo será são"

Fiquem na luz!

7 de abr. de 2010

VOLTE-SE PARA A PAZ DO NIRVANA

Não importa quão esforçado você seja,
Não há fim para as atividades mundanas.
Mas se você praticar o Dharma
Vai rapidamente concluir tudo.

Não importa quão legais eles pareçam,
Os assuntos samsáricos sempre terminam em desastre.
Mas os frutos de praticar o Dharma
Nunca vão deteriorar.

Desde um tempo sem princípio você tem reunido e reforçado o
Carma, emoções negativas e tendências habituais,
Que forçam você a vagar pelo samsara.
Se continuar assim, quando chegará a liberação?

Se você perceber tudo isso só na hora da morte,
Será tarde demais.
Quando a cabeça já foi cortada,
De que adianta o remédio?

Reconhecendo o sofrimento do samsara,
Volte-se para a paz do nirvana.

Guru Rinpoche (Índia/Tibete, séc. VIII)
citado por Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 - Butão, 1991)

Fonte: Blog Samsara


1 de fev. de 2010

DEUS NO BUDISMO

Há pessoas que interpretam que no budismo não há "Deus" ou um "absoluto". O assunto é polêmico dentro da própria comunidade budista. Este artigo da Wikipédia ajuda a clarear a questão.

Gostei também da explicação sobre o assunto contida na introdução do livro "The Life of Milarepa", de Lobzang Jivaka. Segue o trecho em questão:

O Buda, muito longe de negar que havia um Absoluto, garantiu que aqueles que alcançassem a iluminação deveriam se fundir com Isso e assim perceber a Realidade em oposição ao mundo das ilusões e dos fenômenos. O que ele realmente disse, contudo, que tem levado pessoas a acusarem-no de ateísmo, é que não temos nenhum meio de expressar qualquer coisa sobre Isso. Palavras pertencem ao universo dos fenômenos e são aplicáveis apenas à ele. Quando alguém vai além dos fenômenos, em direção à Realidade, palavras precisam obrigatoriamente ser deixadas para trás. Nenhum ensinamento, nenhuma descrição, nenhum pensamento podem expressar o Absoluto -- mas podemos experimentá-lo, se suficientemente evoluídos.

O que Buda combateu foram as numerosas tentativas que foram feitas, estão sendo feitas e continuarão a ser feitas, de dizer que o Absoluto é isso ou aquilo, um Deus pessoal, um Criador, um Deus-Pai. Ele insistentemente recusou responder qualquer pergunta sobre o assunto porque isso era inexprimível em palavras. Ele não iria permitir a seus discípulos imaginar um Absoluto a semelhança deles, como é a tendência do homem em todo lugar. Ele assinalou sutilmente que é melhor se ajustar para tentar alcançar a iluminação e, assim, experimentar o Absoluto por si próprio, em vez de perder tempo tentando ineficazmente falar sobre isso, já que nada que possa ser dito sobre Isso pode ser verdade em absoluto. Palavras iriam inevitavelmente modificá-Lo e moldá-Lo, resultando no máximo em uma aproximação grosseira. Palavras podem ser verdadeiras apenas em certo nível, mas apenas nesse nível, portanto serão apenas verdades relativas. Assim, como um entendimento que só funciona por meio de palavras pode conter o que não pode ser colocado em palavras? Apenas pela experiência direta.

Se esse fato tivesse sido assimilado, às custas do orgulho humano, teria havido muito menos intolerância, violência e sofrimento cometidos em nome da religião, entre os vários adeptos de seus seus próprios credos; todos afirmando de maneira confiante e dogmática que somente eles receberam a Verdade e que todos os outros estão errados e devem ser salvos de sua ignorância voluntária.

...

Então, se não há nenhum Deus no sentido de um Deus pessoal -- ou se for compreendido que conceitos de um Deus pessoal, um Criador ou um Deus-Pai, são apenas relativamente verdadeiros e adequados apenas a alguns estágios do desenvolvimento humano -- porque há tantas referências aos "deuses" [no budismo tibetano], sugerindo toda uma hierarquia?

A palavra páli "deva" é traduzida como "deus", mas na verdade significa "espírito", um ser de um reino superior que, no budismo, pode influenciar seres humanos, ajudar e protegê-los. A Terra não é o único mundo de seres da cosmologia budista. Há incontáveis universos em diferentes planos de existência, isto é, em diferentes estágios de desenvolvimento (espiritual). Alguns são mais elevados que nós (que somos a maioria). Alguns são inferiores. Há muitas referências a seres humanos renascendo em reinos superiores ou inferiores.

Mas, no budismo, não há lugar para a hierarquia massiva da religião Hindu, que acrescentou o próprio Buda a essa hierarquia (até os cristãos fizeram Dele um dos seus santos), nem para a Trindade de Criador, Preservador e Destruidor, nada exceto um Absoluto inexprimível. Em Sua direção as pessoas estão evoluindo ou involuindo, alguns se tornando espíritos de planos superiores, outros afundando em mundos inferiores. E todos pertencem ao mundo dos fenômenos, não à Realidade. Apenas o Absoluto é Real. E nem podemos realmente dizer isso sem declarar algo menor que a Verdade. Mas Ela está lá para ser realizada por alguém com o desejo e determinação como os de Milarepa.

...

Todo ser humano, todo ser, é um Buda em potencial. Depende de cada um realizar sua própria Natureza Búdica.

Lobzang Jivaka
"The Life of Milarepa"

Fonte: Blog Samsara




13 de dez. de 2009

EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA


Neste fim de semana bati um papo com meus primos sobre a evolução através das experiências, e falava sobre Jung e a busca da individuação, através do equilíbrio entre pensamento e sentimento, intuição e sensação. Muito antes Sócrates já falava do equilíbrio na educação dos guerreiros (que deveriam também aprender música) e várias das idéias foram se encaixando no modelo de evolução em espiral que tinha visto nas aulas do CEPEC.
Resolvi brincar um pouco em cima disso, fazendo um novo modelo:


Modelo de evolução da consciência,
mais conhecido nos meios esotéricos
como "cuscuz evolutivo"

Esse modelo (que serve apenas como apoio visual para falar de algo tão abstrato) mostra a evolução da consciência como uma espécie de LP, com suas faixas que vão da borda para o centro (que seriam as "órbitas", onde nós giramos como os planetas giram em torno do sol) compondo uma subida cônica contínua, como numa montanha. O centro seria a união, o TODO, o Self. A maioria das pessoas fica pelas bordas, por pura inércia (força centrífuga e gravidade), guiada pelo instinto, pela lei do menor esforço, pelo desejo e pelas circunstâncias, sem muita consciência de si mesmo. À medida que vamos adquirindo entendimento, galgamos um ponto de altura, ainda na mesma "órbita", mas já acima da compreensão geral do seu grupo consciencial.


Os círculos vermelhos são as alturas
dentro do mesmo raio de cada "órbita".
Na "órbita" central já não há necessidade
de gradação de altura

Talvez a pessoa nessa faixa fique orgulhosa de seu "conhecimento", mas mal sabe ela que ainda está na periferia. Mas é o destino de todos nós sermos atraídos para o centro, alguns mais rápido, outros mais devagar. Alguns procuram um atalho: em vez de subir essa montanha em espiral (uma caminhada mais suave e onde se curte mais a paisagem, o que proporciona um grande aprendizado) seguem uma linha íngreme direto para o topo. Essa é a porta estreita, que Jesus e Buda nos falam. Nada contra quem quer apreciar a paisagem: cada um tem seu ritmo de caminhada, e só evoluímos quando aprendemos a respeitar e compreender cada pessoa em cada nível dessa espiral. Afinal, quem vê a paisagem do alto da montanha pode até prever o próximo movimento de quem está embaixo, ver suas dificuldades na escalada e ajudar com alguma orientação sobre qual o melhor caminho a tomar.

Aí entramos no Dharma: todos nós temos aptidões naturais para alguma coisa. Isso significa que já cumprimos aquela espiral em alguma encarnação, e quando podemos exercer plenamente essa aptidão, significa que estamos rodando na mesma órbita novamente, mas um pouco mais acima (como uma mesma nota musical, só que uma oitava acima). Um Senna, ou um Schumacher, possuem imensa vantagem sobre um Rubinho. Mas quem garante que o aperfeiçoamento de um talento é o ideal para a "subida do cuscuz"? Às vezes ficamos tão concentrados em fazer o nosso melhor que esquecemos de melhorar nossas imperfeições. Não se pode buscar o caminho dos extremos e negligenciar o desenvolvimento do espírito. Rubinho pode ser até um perdedor nas pistas, mas um vencedor em casa, como um bom pai, bom marido, boa pessoa... ao menos não se tem notícia de Rubinho quebrando hotel ou esmurrando jornalistas...

Mas a própria natureza humana nos impulsiona a viver novas experiências. Alguém que já atingiu o máximo de sua habilidade em certa coisa, mesmo que sinta prazer naquilo, vai chegar um tempo em que não irá satisfazer-se mais, o que acarreta um extremo vazio. É o caminho pendular dos extremos: muitos dos soldados que lutaram na 2ª guerra mundial desejavam que, quando tudo aquilo terminasse, fossem passar o resto da vida numa cidade bucólica, ou uma fazenda, algo longe de qualquer barulho. Já Senna compensava a agitação das corridas com uma forte introspecção natural. Mesmo os extremos servem para o aprendizado, ninguém deixa de crescer e aprender. Mas este é o caminho longo e prazeroso, com muitas armadilhas que podem fazê-lo rodar na mesma órbita (que seria o sansara) por muito, muito tempo...
Saiba que quem não se altera na tristeza ou na alegria, e em ambas se mantém firme, é digno da eternidade
(Krishna; Bhagavad Gita 2:15)

Então meu primo me apareceu um exemplo extremo e condenável: o assassino. Será que um serial killer está evoluindo ao cometer seus crimes? Infelizmente (e felizmente) a resposta é sim, embora ele esteja tornando sua vida bem mais difícil. Felizmente porque cada assassinato é um pequeno passo em direção à lição de não-matar, e uma pedra a mais que ele terá de carregar nas costas em sua penosa caminhada. Vejamos então a parábola budista do assassino Angulimala, que é bastante ilustrativa:

ANGULIMALA SUTTA

Gautama, o Buda, andava de um vilarejo a outro, acompanhado de seus discípulos, pregando a Verdade. Certa vez, seguiam por uma estrada fechada, quando depararam com alguns guardas do rei. E eles disseram:
- Voltem e sigam por outro caminho, porque por estas paragens está escondido um perigoso assassino, conhecido por Angulimala. Dizem que já matou 999 pessoas, das quais cortou um dedo de cada uma e fez um colar e está à procura da milésima para completar seu colar de 1000 dedos. Por isso o Rei mandou bloquear a estrada, para evitar que algum incauto seja a próxima vítima. Você pode pegar uma estrada mais longa à frente.

Mas Buda disse: Se eu não for, quem irá? Somente duas coisas são possíveis: ou eu o mudo (e eu não posso perder esse desafio) ou eu fornecerei o dedo que lhe resta para realizar seu desejo. De qualquer forma, eu vou morrer algum dia e me queimarão numa pira funerária. Acho que é melhor realizar o desejo de alguém e dar paz de espírito a esta pessoa. Ou ele me matará ou eu o matarei.

Então Buda continuou a caminhada, com seus discípulos desta vez bem de longe, acompanhando a cena. Finalmente encontrou Angulimala, que estava sentado em uma rocha. Angulimala mal pôde acreditar no que via: "Pessoas em grupos de dez, vinte, trinta e até quarenta seguiram por esta estrada e assim mesmo foram minhas vítimas. E agora esse monge vem sozinho, sem companhia, como se empurrado pela fé. Porque eu não deveria matar esse sujeito? Ele nunca ouvira falar de Siddhartha Gautama, mas podia sentir que este homem era especial, com um imenso carisma que tocava de alguma forma seu coração. Já não sabia se queria realmente matar aquele homem, embora quisesse muito o milésimo dedo.


Então, de espada em punho, Angulimala gritou: "PARE! Não dê nem mais um passo, ou a responsabilidade pela sua morte não será minha. Talvez não saiba quem eu sou!"
E Buda respondeu:
- E você sabe quem você é?
- Esse não é o ponto! Aqui não é a hora ou lugar para discutir essas coisas. Sua vida está em perigo! - Disse Angulimala.
- Pois eu já penso diferente: sua vida está em perigo.
Angulimala riu:
- E eu que pensava que eu era louco... você é que é louco, aproximando-se desse jeito! Depois não diga que eu matei um homem inocente. Não quero matá-lo, posso achar outra pessoa para completar o colar, mas não me force a fazê-lo, andando em minha direção!
- Você está totalmente cego. Não pode ver uma coisa tão simples: eu não estou me movendo em sua direção, você é que está vindo até mim.
- Que maluquice!! Todos podem ver que é você que está se movendo e eu estou parado nesta rocha!
- A verdade é que, desde o dia em que alcancei a iluminação, não me movi nem um centímetro. Estou centrado, totalmente centrado, sem movimento. É sua mente que está continuamente se movendo em círculos, sem parar. E você ainda me diz que eu devo parar. Você deve parar! Eu já parei há muito tempo. Eu me abstenho da violência para com os seres vivos, mas você não tem nenhum refreamento em relação àquilo que tem vida: Essa é a razão porque eu parei e você não.
- Parece que sua loucura é incurável. Você está destinado a ser morto. Sinto muito, mas o que mais eu posso fazer?

Então Angulimala levantou sua espada, mas suas mãos estavam tremendo. Ele já havia matado tantas pessoas, mas nunca havia sentido essa fraqueza. Então Buda falou:
- Por que hesita? Você é um grande guerreiro, e eu sou apenas um pobre mendigo. Você pode me matar, ficarei feliz por satisfazer seu desejo de completar o colar. Minha vida já foi muito útil e assim minha morte também o será. Mas antes de cortar minha cabeça, ao menos satisfaça meu último desejo, como também vou satisfazer o seu de completar o colar, disse Gautama.
Angulimala, que àquela altura faria qualquer coisa para evitar aquela morte, respondeu: "o que quer?"
- Quero que corte um galho daquela árvore tão florida. Um galho que tenha bastante flores para que eu possa sentir sua fragrância pela última vez, pediu o Buda.
Angulimala golpeou um galho com o facão e foi entregá-lo, quando Buda disse:
- Essa é apenas a metade do meu desejo. Agora quero que você cole outra vez esse galho na árvore.
- Que tipo de louco você é? Como vou colar o galho na árvore outra vez?
- Se você não pode criar, não tem o direito de destruir. Se você não pode dar a vida, não tem o direito de dar a morte a nenhuma criatura.

Seguiu-se um momento de silêncio, de transformação. A espada caiu das mãos de Angulimala, que caiu aos pés de Buda, dizendo:
- Eu não sei quem você é, mas seja lá quem for, leve-me para o lugar onde você vive. Inicie-me.

Os discípulos de Buda, que ao longe escutavam, aproximaram-se e disseram: "Não inicie este homem! Ele é um assassino de pessoas inocentes!"
Mas Buda disse:
- Se eu não iniciá-lo, quem o fará por ele? E eu admiro a coragem deste homem, que lutou sozinho contra o mundo, apenas com uma espada. Agora ele lutará contra o mundo usando a consciência, que é muito mais afiada que qualquer espada. Eu lhes falei que um de nós iria morrer hoje. Angulimala está morto. Quem sou eu para julgá-lo?

E assim Angulimala foi iniciado.

Assim se dá a evolução. Mesmo um assassino cruel aprenderá o valor da vida, talvez de forma mais marcante e duradoura do que aquele que nunca passou por esta experiência. Então não nos apressemos em julgar os que estão mergulhados na ignorância, pois eles podem estar sedimentando a sua espiral de evolução, para poderem realizar um importante salto no nível de percepção.

Vemos a mesma lição em um sutta mais moderno, O Senhor dos Anéis (As duas torres), de J. R. R. Tolkien:
- Não sinto nenhuma pena de Gollum. Ele merece morrer.
- Merece! Suponho que sim. Muitos que vivem merecem morrer E alguns que merecem viver morrem. Você Pode dar-lhes vida? Então não seja tão ávido para condenar à morte em nome da Justiça, temendo por sua própria segurança. Nem mesmo os sábios conseguem ver os dois lados.
Mas, e o resultado das ações de Angulimala? E seu karma? Bastou se converter pra "virar santo"? Bem, a história continua:

Após Angulimala ter se convertido em um dos arahants, certo dia ele tomou sua tigela e foi para a cidade de Savathi, para a coleta habitual de alimentos. Naquela ocasião alguém jogou uma pedra e atingiu o corpo de Angulimala, outra pessoa jogou um pau que também o atingiu, e outra jogou um pedaço de cerâmica. Então, com o sangue jorrando da sua cabeça cortada, com a sua tigela quebrada e com o seu manto externo rasgado, o venerável Angulimala foi até Buda, que falou: "Agüente, brâmane! Agüente, brâmane! Você está experimentando aqui e agora o resultado de ações pelas quais você poderia ser torturado no inferno durante muitos anos, por muitas centenas de anos, por muitos milhares de anos."


Fonte: Acid

Ref.: Angulimala Sutta e cap. 24 do livro A grande peregrinação.
Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=04461

8 de dez. de 2009

NÓS NÃO TEMOS RELIGIÃO

Este é um pequeno conto sobre minha conversa com um espírito “caboclo” [1] incorporado na médium que ministra o curso de correntes magnéticas [2] do qual eu participei, e estava então na sua penúltima aula, quando temos a oportunidade de fazer perguntas diretamente a um espírito de luz [3], ou pelo menos ao mentor de uma médium já experiente.

Não sei bem porque, mas mesmo entre os estudantes mais experientes, quase ninguém pergunta sobre questões mais abrangentes, a grande maioria aproveita para perguntar sobre questões pessoais, sobre o futuro, sobre os “mortos”, sobre pedidos de ajuda a Deus, etc., ou seja – exatamente o tipo de pergunta que um espírito de luz não irá responder, pois sabe que cabe somente ao ser em si julgar o que deve fazer de sua existência, assim como cabe aos “mortos” se dirigirem aos “vivos”, e não o contrário. Mas isso não é uma crítica, apenas uma constatação.

Sem grandes expectativas acerca da resposta, que imaginei ser mesmo breve, quando me aproximei da médium incorporada e ela me dirigiu a atenção, perguntei:

“Olá minha irmã. Gostaria de fazer uma pergunta sobre vocês, e não sobre mim. Gostaria de saber qual a religião de vocês. E gostaria de saber se vocês têm uma resposta para o motivo de tantos de nós guerrearem e se matarem por causa de religião. Você teria um conselho sobre como eu poderia, através do que escrevo, ajudar a aproximar as pessoas de religiões contrárias?”

O espírito, do qual sequer sei o nome, e que até então falava com um sotaque quase incompreensível, me respondeu com um longo e inesquecível ensinamento, do qual entendi cada palavra de forma cristalina:

“Meu filho, nós não temos religião. Nós seguimos a Deus. Quem segue a Deus não se preocupa em ter religião, apenas realiza a Deus dentro de si [4].

Quando Siddharta Gautama [5] viu as pessoas sofrendo fora de seu palácio, ele não se tornou um peregrino para fundar o Budismo. Ele tão somente seguiu a Deus. O Deus que via refletido nos outros, e que acabou por realizar dentro de si.

Todo o sábio, todo o ascencionado, apenas realizou a Deus dentro de si mesmo, para então realizá-lo também no mundo, através de suas ações de amor.

Quando os hindus investigaram seus deuses, acabaram por encontrar a Brahma, o criador do universo, e alguns também conseguiram realizar a Brahma dentro de si. Outros criaram as castas, e dividiram os irmãos segundo a lei do homem, mas contra a lei de Deus. Para Deus não existem castas, meu filho.

Esses que brigam uns com os outros por causa de religião, brigam em nome de Deus, mas não brigam com Deus. Deus não está presente em brigas, Deus não poderá nunca se realizar em quem maltrata um irmão.

Mas, para chegar à realização de Deus dentro de si, é preciso do outro. É preciso essa troca (nesse momento ela colocou a mão um pouco acima de meu coração, e trouxe minha mão para a mesma região do corpo da médium – nesse momento a sensação peculiar de “fluxo de energia” se intensificou bastante).

Por isso, meu filho, somos todos irmãos, estamos todos ligados. O Deus de um só pode ser o Deus de todos, e a realização de um é também a realização de todos, é uma festa no céu.

Para acabar com essas brigas de religião, basta ensinar aos seres sobre Deus. Não o “deus” que eles pensam ter encontrado, mas esse Deus cósmico que preenche a cada um de nós. Quando todos realizarem a Deus dentro de si, não será mais preciso ter religião.

Vai em paz meu filho. (nesse momento, ao me despedir, eu beijei as mãos da médium, e o espírito, comandando seu corpo, retribuiu – beijando também as minhas mãos)”

Sim, foi inesquecível...

Eu bem sei que cada espírito, assim como cada ser encarnado, fala apenas do que sabe, e nada mais. Exatamente por isso, analiso a comunicação com os espíritos não pelos nomes que evocam (Deus, Jesus, Ave Maria, etc.) ou pelas “frases prontas” que repetem (na maioria, repetições dos evangelhos), mas pela real profundidade espiritual do que dizem.

Apesar de um espírito classificado como “caboclo” ter demonstrado conhecimento de budismo e hinduísmo, e ter falado de forma tão bela sobre Deus, ele não disse exatamente nada de novo. O que me importou, entretanto, foi à forma como ele disse o que disse. Infelizmente não sou hábil o bastante com as palavras, essas cascas de sentimento, para lhes passar exatamente a forma com que isso foi dito... Por isso também se diz que o caminho espiritual deve ser trilhado por cada um, individualmente, pois é impossível transmitir aos outros experiências deste tipo.

No entanto, este conto é tão somente minha tentativa de transmitir a você uma parte do que senti [6] naquele momento.

[1] Diz-se que um espírito é “caboclo” quando em suas últimas encarnações pertenceu a tribos indígenas. Eles se distinguem, independente da evolução espiritual, pela alta familiaridade com a natureza, e a dificuldade de compreender e se comunicar sobre assuntos modernos, urbanos.
Também vale lembrar que a prática de incorporação vem da Umbanda Sagrada, e não do Espiritismo. Ou seja, o centro espírita onde isso ocorreu é um centro ecumênico, e não ortodoxo.

[2] Eurípedes Barsanufo foi um grande educador, jornalista e espírita da virada do século 19 para o 20. O curso de Correntes Magnéticas é publicado pela editora Auta de Souza, e segue as técnicas iniciadas por Eurípedes décadas atrás.

[3] Essa classificação da literatura espírita é na maior parte das vezes julgada erroneamente por não-espíritas. Quando se diz que um espírito “é de luz”, se quer dizer que ele demonstra ter grande sabedoria e espiritualidade, e não que ele é alguma espécie de arcanjo, ou alguém em posição superior aos demais espíritos. E muito menos que a “luz” tem qualquer referência a sua cor de pele, até mesmo porque espíritos não têm pele.

[4] A palavra religião vem do latim re-ligare e significa “religação a Deus ou ao Cosmos”. Já a palavra igreja vem do grego ekklesia (ou do latim ecclesia) e significa “comunidade dos escolhidos por Deus”. Acredito que, no contexto do que o espírito disse, o significado ficaria melhor traduzido como “nós não temos igreja” – entretanto, achei melhor manter a resposta conforme foi ditada originalmente, inclusive para o título deste conto, até mesmo porque eu mesmo esqueci de usar “igreja” (ao invés de “religião”) em minha pergunta. Em todo caso, mais importante do que se ater as palavras, é se ater aos significados.

[5] Trata-se do Buda. Devo confessar que originalmente pensei em perguntar sobre o conhecimento dos espíritos das religiões orientais, como o Budismo e o Hinduísmo. Não sei se o espírito “leu minha mente”, mas terminou por incluir esse conhecimento em sua resposta, tornando-a ainda mais inesquecível para mim.

[6] A compreensão espiritual não se dá apenas pelo que vemos e ouvimos, mas pelo que realmente sentimos através de nosso espírito, de forma abrangente. Entenda quem tiver ouvidos para entender.



Fonte: Blog Textos para reflexão, do nosso amigo Raph Arrais. 
Agradecemos a indicação amigo! Deus te abençoe!


13 de set. de 2009

CASAMENTO EM CADA RELIGIÃO

ESPÍRITAS
Na doutrina espírita não há cerimônia oficial, portanto, não depende da autorização de um presidente do centro, ou mesmo de um palestrante ilustre, mas de um consentimento que vem de Deus, de um pedido sincero feito por dois corações que resolveram se unir. Isto não quer dizer que o espírita não possa realizar uma cerimônia espírita, que em lugar do padre, terá um amigo que possa realizar uma prece, em lugar da Igreja, não o centro espírita, mas o lar, ou um local adequados para reunir os amigos e familiares. Saiba mais, acesse
www.febnet.org.br (Federação Espírita Brasileira)

CATÓLICOS
"O sacramento do Matrimônio confere aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo amou a sua Igreja. A graça do sacramento aperfeiçoa assim o amor humano dos esposos, dá firmeza à sua unidade indissolúvel e santifica-os no caminho da vida eterna."Se a opção for casar pela Igreja Católica, um dos passos iniciais é marcar um encontro com o padre da igreja mais próxima pelo menos 4 meses antes. A igreja católica considera o casamento um verdadeiro sacramento, reconhecido como uma graça de Deus. A cerimônia católica começa com um cortejo dirigindo-se lentamente para o altar, onde os participantes dividem-se em dois grupos: o da família da noiva e o do noivo. Saiba mais, acesse
www.ceris.org.br.

JUDAÍCA
O casamento judeu tem três etapas. Ketubah: o contrato de casamento descrito em hebraico e português; Deve ser assinado pelo noivo e mais duas testemunhas antes da chegada da noiva; Huppah: representa a casa dos noivos. Na cerimônia, ganha a forma de uma tenda, sob a qual acontece o ritual. O rabino dá as boas-vindas aos convidados e inicia a cerimônia. O documento do casamento, designado por ketuba, é lido em voz alta e os noivos bebem do mesmo copo, gesto que simboliza a partilha de tudo nas suas vidas. Em seguida, o copo é esmagado pelo noivo. O ketuba é assinado e o rabino abençoa o casal. Munidos da certidão de nascimento e uma cópia do " Ketubah " ( certidão de casamento judeu ), dos pais, os noivos se dirigem à Sinagoga para marcar a data da cerimônia e preencher um formulário especial. Ambos devem professar a religião judaica e, caso um dos noivos seja de outra religião, é necessário que se converta e receba os ensinamentos básicos, antes do casamento. A cerimônia de casamento judaica oferece um bonito ritual. Saiba Mais, acesse
www.cjb.org.br (Congregação Judaica do Brasil).

ISLÂMICA/MUÇULMANO
A cerimônia é realizada numa Mesquita e é presidida por um imame (sacerdote). A cerimônia começa com a leitura de um trecho do Alcorão. O imame profere um sermão. Seguem-se as orações e uma distribuição de frutos secos, que simboliza prosperidade e fertilidade. As mulheres ficam num dos lados da mesquita e os homens no outro durante a cerimônia.Saiba mais, acesse
www.wamy.org.br

UMBANDA
Após a abertura normal da sessão, chama-se os padrinhos do casal, acompanhados pelos noivos. Prece: Senhor Deus coma tua permissão, de teu filho Jesus, de Maria Santíssima, dos Orixás, do Caboclo de Oxossi (guia chefe da casa), de todos os Guias, Mentores e Protetores desta casa, abrimos a sessão de matrimônio, pedindo que a Tua força e a Tua paz e as forças do universo neste momento se unam a nós.
Leitura: Segundo as normas da religião e da nossa casa, e de acordo com as palavras de Xangô, que nos ordena leal obediência às leis e às autoridades constituídas, como suficientes para satisfazer a instituição divina do matrimônio, celebro esta cerimônia segundo os ensinamentos de Oxalá e seus enviados.
Ato das Alianças: O celebrante, a seguir, toma das alianças unge com azeite doce e diz: Que o vosso amor seja puro como o ouro que estas alianças contém, e intérmino como o círculo que elas representam.
O dirigente entrega a aliança da noiva ao noivo para que este a coloque no dedo anular da mão esquerda da noiva, repetindo com o celebrante: Com este anel, em nome de Zambi, Oxalá e de Ifá, selo minha união contigo, enquanto vida tiver.
Repete-se o procedimento com a noiva entregando a aliança ao noivo e com a mesma frase. Saiba mais, acesse:
http://povodearuanda.wordpress.com/2006/12/06/casamento-na-umbanda/

BUDISMO
As cerimônias budistas costumam ser belíssimas e geralmente são realizadas em templos. Os convidados são recebidos e saudados com vários cânticos, tal como o noivo enquanto espera pela noiva. A noiva é recebida por um leitor que a leva até ao noivo. Os noivos ajoelham-se diante de um móvel que contém o pergaminho sagrado. O casal bebe de três taças com tamanhos diferentes (simboliza a forma como as suas vidas crescerão dentro do casamento). Poderá haver uma troca de alianças. Saiba mais, acesse
www.terrapura.org.br

CRISTÃ ORTODOXA
Um dos rituais de casamento mais bonitos que existem, embora sejam poucos no Brasil. Dependendo de quem celebrar, a cerimônia pode ser em português ou na língua da descendência dos cônjuges. O termo ortodoxo significa "conforme a doutrina definida". A cerimônia é dividida em duas partes: a união do casal e a coroação. A disposição no altar é a mesma da igreja Católica. O matrimônio é um sacramento, assim como na igreja católica. A simples presença dos noivos dispensa o sim no altar. A cerimônia é realizada de acordo com o antigo rito bizantino, e é cantada em grande parte do tempo. Os noivos são coroados como reis em seu próprio reino (lar). Depois vem a leitura da epístola, a leitura do evangelho e a oração do pai nosso. No final da cerimônia os noivos recebem a bênção final, beijando o evangelho. Saiba mais, acesse
www.igrejaortodoxa.com.br.

PROTESTANTES/PENTECOSTAIS
Nas cerimônias protestantes têm muita música, preces de oferenda e leituras de versículos biblicos, muito parecido com os casamentos católicos. O sacramento do Matrimônio confere aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo amou a sua Igreja. Os noivos precisam pedir a benção ao pastor, geralmente 20 dias antes da data do casamento. Na religião protestante, ao final de uma cerimônia de casamento, geralmente os noivos recebem uma Bíblia, como presente. Muitas cerimônias são realizadas em salões ou buffet, e quem dirige a cerimônia é o pastor. Na cerimônia presbiteriana, os noivos podem optar em fazer o casamento civil e religioso na mesma ocasião.

XINTOÍSMO (RELIGIÃO DO JAPÃO)
Cerimônias xintoístas são verdadeiros espetáculos, mais comuns no Japão, correspondem a 63% dos enlaces, segundo uma pesquisa feita pelo governo. Religião mais antiga existente no Japão. Originalmente, o xintoísmo não tinha nome, doutrinas ou dogmas. Era um conjunto de ritos e mitos que explicavam a origem do mundo, do Japão e da família imperial. Os protagonistas desses mitos eram os Kamis, segundo ensinam, eram deuses ou energias divinas que habitam todas as coisas e sucedem-se por gerações, desde a criação do mundo. Recebeu o nome de Xintoísmo (caminho dos deuses) para distinguir-se do Budismo e do Confucionismo, religiões originárias da China.

HINDUISMO
No Hinduísmo a cerimônia de casamento pode durar muitos dias, onde acontecem festas, danças e rituais. A cerimônia geralmente ocorre à noite, como de costume: o casal anda em volta de um fogo sagrado e dá 7 passos, cada passo tem uma simbologia e refere-se a uma área da vida conjugal. O noivo chega com sua família e amigos em procissão e são recebidos pelos parentes da noiva - é o Baarat. Depois um sacerdote invoca a memória dos antepassados (aprovação da união) e a benção de Deus para o casal. A noiva oferece iogurte e mel ao futuro marido, em sinal de pureza e doçura, e os dois se presenteiam com um colar colocado durante a cerimônia no pescoço um do outro e, depois de o pai ter entregado a noiva oficialmente ao noivo - o Kanya Danam, eles trocam seus anéis. Depois a cerimônia segue com a purificação do ambiente com óleos e essências. De mãos dadas, os noivos trocam juras de amor. No final da cerimônia, eles oferecem uma prece para que seu amor seja firme, pisando em uma pedra - símbolo de estabilidade e força. O "casamento hindu" somente poderá ser feito por Hindus (pessoas que seguem a religião Hindu), semelhante como é feito nas outras religiões. Caso os noivos não sejam Hindus, a cerimônia não pode ser realizada. O que pode ocorrer, fora esta exigência, é que pessoas façam alguma festa com estilo indiano, tendo uma decoração que se inspire na Índia e na sua cultura. Mas neste caso não haverá a presença de um Brahmana - sacerdote - nem os ritos de oferendas serão feitos; senão, será ofensivo ao cânome, de modo semelhante que um leigo não poderá realizar um casamento católico sem a presença de um padre. Saiba mais, acesse
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