Mostrando postagens com marcador Gnose. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gnose. Mostrar todas as postagens

10 de mar. de 2012

O EVANGELHO DE JUDAS | O TRAIDOR OU O CONTRIBUIDOR?

Por: 
Ivan Padilla e Marcelo Musa Cavalleri 


O que levou o último dos apóstolos a trair Jesus? A resposta pode estar em manuscritos inéditos, que trazem a versão do traidor.

No quadro A Prisão de Cristo, de 1602, Michelangelo Caravaggio reproduz a cena bíblica em que Judas beija Jesus e o entrega aos romanos. 
Para ele, nunca houve perdão. Há quase 2 mil anos, ele vem sendo impiedosamente castigado. Em dezenas de países, a cada sábado de aleluia, Judas Iscariotes, encarnado num boneco grotesco, é vítima de espancamento em praça pública. Além de ter entregado aos carrascos seu mestre, Jesus, ele paga pelo que de pior tiver sido feito naquele ano. Assume as feições do político corrupto, do tirano estrangeiro, do delator, do jogador que fez o time perder. Judas virou até substantivo. Significa "traidor" em dicionários de português, espanhol, francês, inglês, alemão e italiano. Nem mesmo do todo-misericordioso ele ouviu uma palavra de misericórdia. "Ai daquele por quem o Filho do Homem será entregue", disse o próprio Jesus segundo o Evangelho de São Marcos.

Pela altura da Páscoa deste ano, no entanto, finalmente será conhecida a versão do criminoso. Pela primeira vez será publicado o texto de um manuscrito inédito, cuja autoria é atribuída ao próprio Judas. Identificado como o Evangelho de Judas, o texto integra a série de evangelhos apócrifos, cuja autenticidade não é reconhecida pela Igreja. Sua existência já era cogitada desde que Santo Irineu de Lyon, no século II, citou-o e condenou-o. Trata-se, portanto, de uma revelação arqueológica de valor ä incalculável. Depois de 1.600 anos, finalmente será lido um texto antes inacessível, capaz de lançar luzes sobre os primórdios do cristianismo, com uma visão completamente original da traição que teria levado Jesus à cruz.

De acordo com relatos de especialistas que tiveram acesso ao manuscrito, Judas afirma, em sua versão da história, que não traiu Jesus. A delação aos sacerdotes judeus teria sido, segundo o manuscrito, um desígnio divino para que o Filho de Deus sofresse o martírio e salvasse os homens. Judas também afirma, de acordo com os relatos, que não se enforcou depois, arrasado pela culpa. Teria sido perdoado por Jesus e orientado a se retirar para fazer exercícios espirituais no deserto. O que mais os manuscritos revelam não se sabe. Por enquanto, eles são mantidos em absoluto sigilo nas mãos da Fundação Maecenas, da Basiléia, na Suíça, enquanto são traduzidos do egípcio antigo (o copta) para o inglês, o francês e o alemão. Na verdade, os manuscritos nas mãos dos tradutores seriam uma versão em copta feita no século IV ou V do original grego do século II, possivelmente o texto mencionado por Santo Irineu.

A ÚLTIMA CEIA No célebre afresco de Leonardo Da Vinci, um saleiro aparece derrubado na mesa em frente a Judas. Trata-se de uma referência à superstição de que jogar sal é um sinal de má sorte. Abaixo, um ensaio para a obra

Como o Evangelho de Judas é muito posterior ao tempo em que os eventos teriam ocorrido, não se pode nem mesmo tentar buscar algo nele sobre a figura histórica de Judas. Hoje, o que se sabe sobre Judas está nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João e no Ato dos Apóstolos, um breve relato dos primeiros tempos da Igreja. É bem pouca coisa. Filho de Simão Iscariotes, Judas é sempre o último da lista dos 12 apóstolos citados pelos Evangelhos. A traição é situada no momento em que Jesus falava a seus discípulos no Getsêmani, ou Jardim das Oliveiras, fora dos muros de Jerusalém. No relato dos evangelistas, Judas chega acompanhado de uma multidão armada com paus e espadas. Ao se aproximar do mestre, beija-o na face. O gesto de amor é o sinal da traição. Os enviados dos sacerdotes judeus prendem Jesus e tem início o martírio. Em troca, o delator recebe 30 moedas de prata. Atormentado pela culpa, enforca-se em uma árvore. Com o dinheiro, os sacerdotes compram um terreno para instalar um cemitério.

3 de mai. de 2011

PEDRAS NO CAMINHO





"Crer para compreender e compreender para crer" - pode-se dizer que esse era mesmo o lema de Sto. Agostinho. Há muitos que irão discordar, dizer ser algo impossível, mas fato é que a fé racional, ou fé raciocinada, é não somente algo possível e plausível, como o grande objetivo de todo sábio - a harmonia do caminho entre aquilo que já compreendemos e aquilo que nos falta compreender, entre o que já sabemos e nos falta saber, entre nossa doce convicção e o amargo desconhecido.


Dirão os que discordam, enfurecidos em si próprios: "mas e qual homem conseguiu tal objetivo?" - Nenhum! Nenhum conseguiu e talvez nenhum consiga, pelo menos no estágio em que é conhecido por "homem". Mas da mesma forma a bactéria não se tornou peixe, e depois réptil, e depois mamífero, e depois homem, da noite para o dia. O caminho! É isso o que importa... Importa chegar para depois partir, e partir com o horizonte em nossa mente. Importa amar a possibilidade de caminhar sempre à frente, até o infinito, ao invés de resmungar e dizer "que todos os que pensam em tais mistérios são tolos". Ora, os maiores tolos são exatamente aqueles que creem que mistérios não existem, que são falsos de antemão. Como se o seu próprio pensamento fosse o mero agitar aleatório de partículas no cérebro, como se as leis naturais tenham permanecido simétricas e precisas por bilhões de anos apenas porque "é assim que as coisas são".


Entretanto, é preciso controlar a imaginação, e não permitir que gere por si mesma as imagens mentais, que explique o mundo sem interagir com o mundo. Não é somente meditando no topo da colina que o sábio se fez sábio, mas sim conhecendo a si próprio, a seus próprios pensamentos, para que ao lidar com o mundo não fosse contaminado pelo dogma alheio. O dogma é como um rio represado: enquanto não arrebentarmos a represa ele pode permanecer estático, satisfeito em sua própria ignorância, acomodado na mais falsa das suposições - a de que já descobriu todas as verdades do mundo... Ora, e o dogma existe tanto para o crente quanto para o descrente. A paralisia do pensamento não é exclusividade daqueles que creem sem raciocinar, pois há também aqueles que descreem sem raciocinar - e igualmente, ambos estão paralisados.


Mas o sábio atira a pedra e ela rompe as represas: não é o sábio quem muda o ignorante, mas o ignorante que muda a si próprio, entusiasmado pela doce leveza da sabedoria quando essa lhe aparece sem os diversos véus e as diversas máscaras em que as doutrinas dogmáticas lhe desfarçaram! E mesmo o próprio sábio percebe o perigo de cair nas viagens intermináveis da imaginação que gera a si mesma, alheia ao mundo; ou da negação a priori do pseudo-cético que, por medo do que lhe é desconhecido, prefere negar a tudo que lhe incomode as idéias. Por isso também o sábio segue a natureza: quando está aprendendo a nadar, permanece no raso da praia, e ainda não se arrisca no oceano profundo; e quando está aprendendo a voar, primeiro plana com a brisa, e somente depois arrisca vôos mais altos e cansativos.


Pois é assim que se constrói o conhecimento humano. Muito diferente do que os adeptos da negação defendem, não é somente a ciência que explica o mundo. De fato, a ciência antiga não era muito diferente da religião: que o digam Hermes, Sócrates, Pitágoras, ou mesmo o Pórtico de Atenas, a biblioteca de Alexandria ou a meca da ciência islâmica - Al-Andalus! Mas hoje tudo isso foi destruído pelos homens ignorantes que, seja no lado da crença ou do ceticismo, sempre pretenderam ser os únicos detentores da verdade. É porisso que uns queimaram mártires e papiros, e outros mais elegantes, se comprazeram em relegar ao ostracismo histórico todo dito cientista que se opunha a um materialismo dogmático. Mas não nos delonguemos na ignorância humana: fato é que a ciência nunca pretendeu explicar sozinha o mundo, nunca pretendeu sair do estudo do Mecanismo da natureza para o estudo de seu Sentido. Porisso mesmo temos ainda duas lentes que precisam ser usadas em conjunto para regular o grau de visão da natureza: ciência e religião. Uma descreverá o Mecanismo. A outra descreverá o Sentido.


Ou será que somos todos como pedras no caminho de um deus ausente, que se comporta como uma entidade que ignora a sua própria criação, e mesmo sem querer chuta-nos enquanto se move de um lado para o outro, em algum lugar, sabe-se lá pensando no que! Então a terra surgiu por aglomeração de pedras-partículas, e a vida surgiu na terra porque uma pedra-asteróide aqui adentrou... E toda a evolução da vida foi decorrente de um descuido aleatório do grande deus ausente, o chutador de pedras.


Mas o que é o aleatório? Onde na natureza esse mecanismo se encontra? Onde, dentre simetrias espaciais e temporais, dentre mecanismos sutis e elegantes, encontra-se uma única pedra que se moveu sem ter tido causa? E se teve causa, ela não poderia ser aleatória... Ou seria absolutamente tudo aleatório, mesmo nossos pensamentos e vontade? Se assim for, de nada adianta nos delongarmos nessa ou em qualquer outra discussão. Mas, se as leis, as delicadas geometrias da natureza, seguirem alguma verdade misteriosa que se encontra atrás do próximo horizonte, então é para lá que o sábio deve seguir!


Nossos ancestrais descobriram a muito custo que certas pedras, ao se chocarem, apenas tiravam lascas umas das outras. Mas havia outras que produziam faíscas! E assim se fez o fogo... Nós somos as pedras, e o que está em cima é como o que está embaixo: não percamos nosso tempo em tirar lascas um dos outros, em denegrir um a "verdade" do outro. Mas construamos juntos uma mesma fogueira divina, e talvez flutuando em sua fumaça possamos um dia ser levados pelas brisas, atravéz do oceano, ao reino da verdade e do conhecimento de todos os belos mecanismos da natureza. Levantai uma pedra, e lá estará o reino de Deus.


***


Crédito da foto: Shadi Samawi



 


Fonte: O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais


***


» Veja mais posts do Textos para Reflexão no Universalistas


11 de mar. de 2010

SANTÍSSIMA TRINDADE, BÍBLICO OU NÃO?

Várias denominações cristãs e outras religiões, como o Islão e o Judaísmo, discordam da doutrina da Santíssima Trindade, isto é, da afirmação de que o Único Deus revela-se em três pessoas divinas distintas. São obviamente as igrejas cristãs não-trinitárias que rejeitam esta doutrina. São os unicistas, os Cristadelfianos e vários movimentos paraprotestantes como os seguidores da Mensagem de William Branham e as Testemunhas de Jeová (não se encaixam no protestantismo). Há também grupos discordantes dentro de algumas denominações que aceitam a doutrina, como por exemplo, os Adventistas.

5 de fev. de 2010

CONCEITO GNÓSTICO DE KARMA


É preciso que as pessoas compreendam o que significa a palavra "Karma".

A lei da balança, a lei do Karma rege toda a criação. Toda causa se transforma em efeito e todo efeito se transforma em causa novamente.

Foi nos dada liberdade e livre escolha e podemos fazer o que quisermos, porém é claro que temos que responder diante de Deus por todos nossos atos. Qualquer ato de nossa vida, bom ou mau, tem conseqüências. A lei de ação e reação governa o curso de nossas vidas, e cada nova existência é produto da vida anterior.

Compreender integramente as bases e o "Modus Operandi" da lei do Karma é indispensável para podermos conduzir o barco de nossa vida de forma positiva e digna através das diferentes escalas da vida.

O Karma é lei de compensação, não de vingança. Há quem confunda essa Lei Cósmica com "determinismo" ou com "fatalismo", ao crer que tudo que nos acontece já está previamente determinado. É verdade que os atos humanos determinam nossa herança, a educação e o meio [em nascemos]. Mas também é verdade que o homem tem o livre arbítrio e pode modificar seus atos, educar seu caráter, formar hábitos superiores, combater debilidades e fortalecer virtudes.

O Karma é um remédio aplicado para nosso próprio bem. Infelizmente, as pessoas em vez de se inclinarem reverentemente diante do eterno Deus vivo, protestam, blasfemam, se justificam, se desculpam, lavam as mãos. Com tais protestos em nada modificam o Karma; ao contrário: torna-se ainda mais duro e severo.

Quando nascemos neste mundo trazemos nosso destino. Uns nascem em berço de ouro e outros na miséria. Se na passada existência matamos, agora nos matarão; se ferimos, agora nos ferirão; se roubamos, agora nos roubarão; e com a vara que medimos seremos medidos.

Felizmente, caros amigos, a Justiça e a Misericórdia são as duas colunas de sustentação da Grande Fraternidade Branca.

Justiça sem Misericórdia é tirania; Misericórdia sem Justiça é tolerância e complacência com o delito. O Karma é negociável. Isso pode surpreender muita gente de diversas escolas esotéricas tradicionais. Por certo alguns pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas tornaram-se muito pessimistas em relação à lei de causa e efeito. Supõem equivocadamente que esta se desenvolve em forma mecânica, automática e cruel. Os eruditos crêem que não é possível alterar essa lei, mas lamento sinceramente ter que discordar dessa forma de pensar.

Se a lei de ação e reação, se o Nêmesis da existência não fosse negociável, então onde ficaria a misericórdia divina? Francamente, não posso aceitar crueldade de parte da divindade. Brahman, Deus ou Deuses de forma alguma poderia ser algo sem misericórdia, algo cruel e tirânico. Por tudo isso repito em forma enfática: O Karma é negociável.

É possível modificar nosso próprio destino. Modificando-se a causa modifica-se o efeito. "O Leão da Lei se enfrenta com a Balança". Se em um prato da Balança colocamos nossas boas obras e no outro as nossas obras negativas, ou teremos equilíbrio ou um dos pratos pesará mais que outro. Se o prato das más obras pesar mais devemos corrigir o desequilíbrio pondo mais boas obras no prato correspondente, para inclinarmos a Balança a nosso favor. Dessa forma pagamos Karma. Fazendo boas obras para pagar nossas dívidas. Lembremos que não se paga Karma somente com dor, também podemos pagar karma com boas obras.

Agora vocês podem compreender, queridos amigos, como é maravilhoso praticarmos o bem. Sem dúvida, o reto pensar, o reto sentir e o reto agir são o melhor negócio.

Nunca devemos protestar contra o Karma. O importante é saber negociar. Infelizmente, quando as pessoas se encontram em grandes amarguras o único que sabem fazer é lavar as mãos dizendo que nunca fizeram mal a ninguém, que não têm culpa de nada e que sempre foram pessoas justas e corretas.

Que me seja permitido dizer aos que estão na miséria que revisem sua conduta, que julguem a si mesmos, que se sentem no banco dos réus, mesmo que por alguns poucos momentos para fazer uma análise de si mesmos; depois, modifiquem sua conduta.

Se esses que estão sem trabalho se tornassem castos, caridosos, agradáveis, serviçais em cem por cento é claro que mudariam radicalmente a causa de sua desgraça e conseqüentemente, seus efeitos.

Não é possível modificar um efeito se antes não se modificou a causa que o gerou, porque, como dissemos: não existe efeito sem causa nem causa sem efeito.

Devemos trabalhar sempre de forma desinteressada e com infinito amor em favor da humanidade. Assim, mudaremos as causas negativas que geram os nefastos efeitos.

Sem dúvida, a miséria tem suas causas nas bebedeiras, na luxúria, na violência, no adultério, no desperdício, na avareza, etc.

Quer ser curado? Cure os outros. Tem familiares na prisão? Trabalhe pela liberação de outros. Está com fome? Divida teu [pedaço de] pão com quem está pior que você.

Muitas pessoas que sofrem só se lembram de suas amarguras, desejando remediá-las, mas não se lembram dos sofrimentos alheios, nem remotamente pensam em remediar os sofrimentos do próximo. Esse estado egoísta de sua existência não serve para nada. Assim, o único que conseguem realmente é agravar seus sofrimentos.

Se essas pessoas pensassem nos demais, em servir seus semelhantes, em dar de comer ao faminto, dar de beber ao sedento, em vestir o desnudo, em ensinar ao que não sabe, é claro que poriam boas obras no prato da balança cósmica para incliná-la a seu favor, e assim mudariam seu destino e viria a sorte a seu favor. Mas as pessoas são muito egoístas, e por isso sofrem. Ninguém se lembra de Deus nem de seus semelhantes se não quando estão em desespero, e isso é algo que todo mundo pode comprovar por si mesmo. Assim é a humanidade.

Infelizmente, esse ego que todos levamos dentro, faz tudo ao contrário do que estamos dizendo aqui. Por isso mesmo considero urgente, inadiável e irremediável reduzir o ego à poeira cósmica.

O único que é necessário fazer para ter direito à verdadeira felicidade é, antes de tudo, eliminar o ego. Certamente, quando não existirem mais egos dentro de nós, esses horríveis elementos que nos fazem tão perversos e malvados, não haveria mais Karma a ser pago e o resultado disso seria a felicidade.

A Lei do Karma, a Lei da Balança Cósmica não é uma lei cega. Também é possível pedir crédito aos Mestres do Karma, e isso é algo que muitos desconhecem. Contudo, é bom saber que todo crédito precisa ser pago com obras de caridade. Se não for pago, então a Lei cobrará com muito sofrimento.

Quem despertar a consciência poderá viajar com seu corpo astral plenamente consciente e estudar no Templo da Justiça seu próprio Livro do Destino. O Chefe dos Sacerdotes do Tribunal do Karma é o Grande Mestre Anúbis. O Templo de Anúbis, Supremo Regente do Karma, encontra-se no mundo molecular, chamado por muitos de Plano Astral.

No Tribunal da Justiça impera unicamente o amor e a justiça. Ali existe um livro com as colunas "Dever - Haver" para cada ser humano, onde diariamente se registra tudo que se faz de positivo e de negativo.

As boas ações são representadas por um tipo incomum de moeda que os Mestres acumulam em benefício daqueles que realizam boas obras. Nesse Tribunal também existem advogados defensores. Mas, paga-se por tudo. Nada nos é dado gratuitamente. Quem tem boas obras paga suas contas e se sai bem em seus negócios. Os créditos solicitados devem ser pagos com trabalhos desinteressados e inspirados no amor pelos que sofrem.

Negociar com os Senhores da Lei é possível por intermédio da Meditação: orai e meditai. Concentrai-vos em Anúbis, o Supremo Regente da Boa Lei.

Lembrem-se: Para o indigno todas as portas estão fechadas, menos uma: a do arrependimento. Pedi e vos será dado; batei e se vos abrirá.

Fonte: Gnosis Online
(Por Samael Aun Weor, da obra Tarot y Kábala, capítulo 27)



14 de fev. de 2009

O QUE É A GNOSE

Gnose é o substantivo do verbo gignósko, que significa conhecer. Gnose é conhecimento superior, interno, espiritual, iniciático. No grego clássico e no grego popular, koiné, seu significado é semelhante ao da palavra epistéme. Em filosofia, epistéme significa "conhecimento científico" em oposição a "opinião", enquanto gnôsis significa conhecimento em oposição a "ignorância", chamada de ágnoia.

A gnose é um conhecimento que brota do coração de forma misteriosa e intuitiva. É a busca do conhecimento, não o conhecimento intelectual, mas aquele conhecimento que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna e maravilhosa.

O objeto do conhecimento da Gnose é Deus, ou tudo o que deriva dEle. Toda gnose parte da aceitação firme na existência de um Deus absolutamente transcendente, existência que não necessita ser demonstrada. "Conhecer" significa ser e atuar, na medida do possível ao ser humano, no âmbito do divino. Por isso, "conhecer" implica a salvação de todo o mal (Ego) em que possa estar imerso o homem que venha a possuir esse "conhecimento".

Gnose é ao mesmo um conceito religioso e psicológico, além de científico, filosófico e artístico. A partir desta visão, o significado da vida aparece como uma transformação e uma visão interior, um processo ligado ao que hoje se conhece como psicologia profunda.

O desejo e as tentativas de conseguir amor e felicidade são a saudade inesgotável do Pleroma, ou seja, da Plenitude do Ser, que é o verdadeiro lar da alma. O desejo desse "conhecimento" é uma nostalgia das origens e procede de um original anelo humano de alcançar a Unidade, do desejo natural, perrene e universal, de fusão do homem com o Ser, do qual acredita ter sido originado.

A Gnose é o comportamento religioso que traduz esta profunda e dolorosa sensação que sentem os homens e mulheres pela separação dos pólos humano e divino. É, no fundo, uma tentativa de compreensão das relações entre o homem e a divindade.

Para Jung, muitos gnósticos nada mais eram do que psicólogos. "A gnose é, indubitavelmente, um conhecimento psicológico, cujos conteúdos provêm do inconsciente. Ela chegou às suas percepções através de uma concentração da atenção sobre o chamado "fator subjetivo" que consiste, empiricamente, na ação demonstrável do inconsciente sobre a consciência. Assim se explica o surpreendente paralelismo da simbologia gnóstica com os resultados a que chegou a psicologia profunda".

OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA TEOLOGIA GNÓSTICA
Os princípios gnósticos (do gnosticismo ocidental, da vertente ocidental, bem entendido) têm seu fundamento filosófico em Platão. Para Platão, as idéias, independentemente das coisas e do intelecto humano, são as causas temporais para os objetos sensíveis. As idéias ou formas são entidades incorpóreas e invisíveis, reais, eternas e sempre idênticas a si mesmas, escapando à ação corrosiva do tempo, que torna os objetos físicos perecíveis. Ou seja, nosso mundo tridimensional tem uma origem, um molde, e esse molde é a realidade verdadeira, e não o mundo físico.

Para Platão, porém, os primeiros Princípios, o mundo das idéias, têm a função de objeto do conhecimento. Valem para explicar a realidade física tanto da esfera superior como do mundo. Mais tarde, os sucessores de Platão, baseando-se no Uno, como princípio transcendente, alteraram estas bases do platonismo antigo. Os princípios que eram, para Platão, objetos ou meios de conhecimento passarem a ser considerados uma entidade real, dignos de veneração, que poderiam produzir outros seres por meio de geração ou de emanação. O Uno passou a ser objeto real que poderia produzir outros seres através da emanação ou geração.

Para Piñero e Montserrat, estes dois momentos, a passagem de objeto a sujeito e a possibilidade da geração/emanação, ocorrem em todas as vertentes do platonismo e leva a profundas divergências. Alguns grupos gnósticos prescindem do Uno e consideram dois princípios: o Intelecto e a Alma divinos, o que significa uma concepção diádica. Outros grupos mantêm a existência do Uno, porém afirmam que o Uno gera o Intelecto e a Alma como entidades independentes. Os Princípios primeiros formariam, sob este ponto de vista, uma tríade, Uno, Intelecto e Alma (ou, segundo a ritualística gnóstica, Espírito, Mente e Razão). E ambos os sistemas consideram uma divisão da Alma em duas subentidades:

Uma Alma superior e uma Alma inferior ou Alma do mundo.

Os que consideram os três Princípios (Uno, Intelecto, Alma do Mundo) insistem que o Primeiro, o Uno, é o Sumo Transcendente, além do ser e do inteligível. Defendem um processo de descida dos Princípios superiores aos inferiores através da emanação ou geração. O segundo Princípio é o Intelecto e contém em si todos os inteligíveis. O terceiro é a Alma/Espírito, que pode ser concebido como dois subprincípios, uma Alma Inteligível e uma Alma do Mundo.

Este sistema triádico aproxima os gnósticos cristãos à Trindade do Novo Testamento. O Deus Supremo, primeiro Princípio, corresponde ao Deus Pai. O segundo Princípio, o Intelecto, corresponde ao Filho, é o Logos, que se faz homem em Jesus e em todos aqueles que encarnam o Cristo Cósmico. Desse Filho procede a centelha divina, que se encontra nos homens espirituais. O terceiro Princípio corresponde ao Espírito Santo. Em seu desdobramento inferior é o Princípio divino no tempo, a Alma do Mundo, a Natureza e o Criado.

Os gnósticos afirmavam que os judeus conheceram o terceiro Princípio em seu produto inferior, que é o Demiurgo e apenas através da revelação da Bíblia hebréia. Afirmavam também que os cristãos normais não vão além do segundo Princípio, somente os gnósticos, os espirituais, chegariam ao primeiro Princípio.

Para os seguidores do esquema diádico, a metafísica dos princípios é: o "Deus Supremo" é um Intelecto que é bom, o equivalente ao segundo Princípio dos sistemas triádicos acrescido do Bem. O "Segundo Deus" ou princípio do Cosmos, equivale ao terceiro Princípio dos sistemas triádicos ou Alma da Mundo. Este "Segundo Deus" se desdobra em dois subprincípios um inteligível e outro sensível.

À ramificação triádica da tradição platônica pertencem os neopitagóricos, os valentinianos, os basilidianos e Plotino. Ao ramo diádico pertencem Filón, Numenio, Albino e Poimandres e, entre os gnósticos: os sethianos e Justino Gnóstico. Os teólogos da ortodoxia cristã antes do Concílio de Nicéia são teologicamente trinitários, porém filosoficamente diádicos. Pode-se reconhecer, também, nas diversas escolas ou correntes influências de outras tradições filosóficas, em particular do estoicismo.

Para os sethianos, os Princípios (Intelecto/Alma do Mundo) não são concebidos como substâncias. Há uma multiplicidade de graus ou estratos de emanação descendente da divindade:

1. Primeiro estrato - Formado pelo Uno.
2. Segundo estrato - Os Eons Superiores Femininos - O sujeito deste estrato recebe o nome de Barbeló. Barbeló se "ergue" diante do Espírito Transcendente e é definido como sua Imagem e seu Pensamento. Ela recebe os nomes de Inteligência, Providência, Incorruptível, Vida Eterna e Verdade. Barbeló vai desempenhar a função de Princípio dos estratos inferiores e Princípio do Universo.
3. Terceiro estrato - Os Eons Superiores Masculinos - O sujeito deste estrato recebe o nome de Unigênito e Filho. Os Eons do segundo e terceiro estratos formam o Pleroma Superior que virá a ter o momento de queda ou "deficiência".
4. Quarto estrato - Os Eons do Pleroma Inferior - estes Eons foram engendrados pelo Deus que foi engendrado, o Cristo.
5. Quinto. estrato - o Eon Sabedoria - A função da Sabedoria (Sophia) é a criação do universo, é a "mãe do universo". Sabedoria é "a que olhou para baixo". Esta descida da Sabedoria é concebida como "inocente".

Há dois motivos para a queda da Sabedoria: primeiro, produz uma obra sem o consentimento do Pai e, segundo, o faz separada de seu consorte. O resultado desta ação é um trabalho imperfeito, o Arconte demiúrgico ou uma sombra que, através da matéria, produz o arconte Demiúrgico. Em função desta obra, a Sabedoria é denominada material (gr. Hylikós).

A Sabedoria busca a luz que a havia porém não pode alcançá-la por causa do impedimento do Limite. Por não poder ultrapassá-lo, por continuar misturada à sua paixão e, ao permanecer abandonada fora do Pleroma, a Sabedoria cai em todo tipo de paixões, multiformes e variadas. Destas paixões (também divinas), nasce a primeira matéria, primordial e inteligível, não sensível, tem origem o Demiurgo. As demais coisas nasceram de seu temor e de sua tristeza. Das lágrimas da Sabedoria vieram as substâncias úmidas; de seu riso, a sabedoria luminosa; de sua tristeza e de seu estupor, os elementos corporais do mundo.

Esta matéria primordial não é o mundo corpóreo, porém o substrato a partir do qual se plasmará o mundo corpóreo. O mundo visível será criado, posteriormente, pela Sabedoria de modo indireto, graças ao Demiurgo.

Fonte: http://www.gnosisonline.org/Teologia_Gnostica/index.php

Related Posts with Thumbnails