11 de ago. de 2010

QUEM FOI ELLEN G. WHITE?

Ellen Gould White (1827-1915) foi uma cristã americana, profetisa e escritora cujo ministério foi fundamental para fundação do movimento Adventista sabatista, que mais tarde veio a formar a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Os adeptos do Adventismo consideram Ellen G. White uma profetisa contemporânea, embora ela mesma nunca tenha reivindicado para si esse título. Os adventistas acreditam que Ellen White teve o Dom de Profecia, como descritos em Apocalipse 12:17 e 19:10. A base dessa crença está no fato do Novo Testamento apontar que nos últimos dias os cristãos teriam novamente o dom de profecia para orientar a igreja.

Os escritos de Ellen White são restauracionista e se esforçam para mostrar a mão de Deus guiando os cristãos ao longo da história. Nos livros dela, fica evidente que existe um conflito cósmico sendo travado na terra entre o bem (Deus) e o mal (Satanás). Esse conflito é conhecido como a “a grande controvérsia” e foi fundamental para o desenvolvimento da teologia adventista.
Ellen White, que também é conhecida como irmã White pelos adventistas, foi uma das líderes que fundaram o movimento adventista do sétimo dia, ao lado do seu marido, Tiago White e de um amigo do casal: José Bates.

A Sra. White foi uma figura controversa em seu tempo, gerando ainda hoje muitas discursões, especilamente entre outros grupos cristãos, assim como de pessoas de outras religiões. Ellen afirmou ter recebido uma visão logo após o Grande Desapontamento Milerita. Num contexto onde muitas outras pessoas alegavam também ter recebidos visões, ela era conhecida por sua convicção e fé fervorosa. Randall Balmer, a descreveu como "uma das figuras mais vibrantes e fascinantes da história da religião americana." Já Walter Martin afirmou que ela era "uma das personagens mais fascinantes e controversas do seu tempo a aparecer no horizonte da história religiosa." Ellen White é a autora feminina mais traduzida de não-ficção na história da literatura, bem como o mais traduzido autor de não-ficção americana de ambos os sexos. Seus escritos tratam de teologia, evangelização, vida cristã, educação e saúde (ela foi uma defensora do vegetarianismo). Ellen também promoveu a criação de escolas e centros médicos.

Durante sua vida, ela escreveu mais de 5 mil artigos e 40 livros. Hoje em dia, graças as compilações feitas de seus manuscritos, mais de 100 títulos estão disponíveis em Inglês e 52 em português. Alguns de seus livros mais populares são Caminho a Cristo, O Desejado de Todas as Nações e O Grande Conflito.

10 de ago. de 2010

RÓTULO RELIGIOSO

Quando me perguntam qual a minha religião, respondo que é aquela que me orienta a encontrar o caminho para aprender verdadeiramente AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO, mas dizendo isso, as pessoas insistem em que eu diga qual a minha religião, então percebo que é o rótulo que querem saber, e não a religião. Ora, creio que a síntese de todas as religiões acaba sendo o enunciado acima referido, independente do rótulo que lhe seja dado. Mas infelizmente para muitos, o rótulo é mais importante do que a essência que a religião propõe, e esse assunto sempre me interessou, tanto que pesquisei na internet, para saber qual o entendimento a respeito do tópico em questão, e encontrei um que veio de encontro do que penso, e portanto, abaixo o transcrevo integralmente, e espero que os amigos gostem e possam refletir quanto a profundidade do conteúdo exposto:


A saudosa Madre Teresa de Calcutá, num dos episódios mais bonitos de sua vida, teve ensejo de recolher nas lixeiras de Calcutá, entre dezenas de velhos que costumavam ser atirados pelos próprios filhos, um deles, para dar-lhe uma morte mais digna.

Esse velho estava nas vascas da morte, e Madre Teresa, com as companheiras, foi tratando dele. Ele foi recobrando a lucidez, até o momento em que perguntou à religiosa qual era a sua religião. Madre Teresa, voltando-se para ele, no meio daquela lufa-lufa, daquelas buscas para socorrê-lo, respondeu-lhe: A minha religião, a minha religião é você.

Logo depois o velho relaxou e faleceu.

A resposta de Madre Teresa àquele homem é uma das coisas mais lindas que podemos encontrar numa definição de religião. Porque, desde há muito tempo, as religiões deixaram de ser a busca do outro, a busca dessa integração com Deus.

O termo religare, do latim, quer nos dizer isto, religação com Deus. E nós nos podemos religar com Deus de variadas maneiras.

A busca de Deus, esse teotropismo, esse movimento da alma para o Criador pode se dar de variadas maneiras.

O de Madre Teresa, por exemplo, era através do serviço que ela realizava para o próximo.

No entanto, podemos bem perceber que, quando estamos numa atividade social, nos relacionando com as pessoas, é muito comum que alguém deseje saber qual é a nossa religião.

E essa preocupação tem a ver com o fato de que, há muito tempo, a nossa escolha religiosa passou a ter o mesmo valor da nossa posição sócioeconômica.

Muita gente nos dá valor em função do nosso rótulo religioso. Elas se identificam ou não conosco, em razão da nossa profissão de fé.

Daí, as religiões passaram a separar as pessoas, do mesmo modo que na sociedade existem ricos e pobres, brancos e negros. Do mesmo modo que existe gente da favela, do campo, da cidade, também passamos a ter essa visão com relação às religiões.

Se o indivíduo for da religião A, B ou C, se pertencer a uma religião tradicionalista, ele tem uma consideração social.

Se ele pertencer a uma outra religião menos ortodoxa, a uma religião menos conhecida, possivelmente terá que pagar algum tipo de ônus nesse relacionamento social: seja o ônus da descrença, seja o ônus da zombaria.

Mas, a religião pesa na vida social das pessoas. Afinal de contas, o que é que significa a vida religiosa? O que é que deve ser a nossa religião?

A nossa religião deverá ser essa busca da Divindade em nós. E é muito complicado pensar em buscar a Divindade em nós, longe do nosso próximo, longe do nosso semelhante.

Essa busca de Deus, esse religar a Deus precisará ser feito através do nosso semelhante, através do nosso próximo.

E é então que verificaremos que muita gente que vive apinhando templos, igrejas, congregações, centros, é materialista, quando não, atéia.

Porque têm a busca da religião como sendo apenas do seu culto externo, da sua mise en scène, têm o culto religioso apenas na aparência, e não na sua intimidade.

As criaturas gostam de tudo aquilo que faz parte desse salamaleque da crença, mas não das responsabilidades espirituais da crença.

Então, quando aquele homem pergunta a Madre Teresa qual era a sua religião, e ela responde que a sua religião era ele, ela está perfeitamente ajustada naquilo que Cristo nos ensinou a fazer: amar o nosso próximo como amamos a nós mesmos.

Graças a essa postura é que demonstramos amar a Deus acima de todas as coisas. Somente quando conseguimos amar a Deus acima de todas as coisas, o próximo fica mais próximo de nós.

É por causa disto que vale a pena distinguir: que religião é a nossa?

* * *

A nossa religião, dessa forma, precisa se ajustar ao espírito religioso.

Grande número das vezes nós adotamos a postura religiosista, mas não religiosa.

A postura religiosista está buscando sempre as exterioridades da crença, o lado social da crença: o encontro, as festas, as roupas, a mise en scène. Mas, nós precisamos tratar de buscar essa religiosidade interna porque é dessa intimidade que partem todas as nossas ações religiosas.

É importante saber que nós podemos buscar Deus por diversos caminhos. Um desses caminhos é através da prática religiosa.

Não podemos garantir que todas as pessoas que frequentam sinagogas, templos, igrejas, centros espíritas, terreiros deem, de fato, bom exemplo de religiosidade.

Muitas vezes encontramos, entre essas pessoas, muito materialismo, muito interesse imediatista.

Há criaturas que frequentam determinadas crenças por causa do que elas querem conseguir, por causa dos interesses imediatistas.

E, por causa disso, deixam de atender ao preceito maior da religião, que é amar a Deus acima de tudo e amar o nosso próximo como amamos a nós mesmos.

É natural pensar, na nossa prática religiosa, que podemos ter por religião socorrer uma pessoa necessitada. Mas, como assim?

Eu posso dizer uma coisa boa para quem precise ouvir uma coisa boa. E eu posso silenciar uma agressão, na hora que alguém deseja me irritar ou quando eu me sinto irritado, em nome da minha fé religiosa.

É melhor que eu silencie uma ofensa contra alguém do que eu arremessar essa ofensa, e depois ter que recolher essa energia de volta. Porque tudo que é nosso terá que voltar para nós. É o tal efeito bumerangue, é a Lei de Causa e Efeito em ação.

Por causa disso, a nossa religião deve ser uma religião que nos amadureça, e não que nos infantilize. Deve ser uma crença que nos leve a demonstrações de que aquilo em que se crê é verdade, e não em religiões fantasiosas, que passam a por na nossa mente uma série de invencionices de pessoas tão humanas e tão falíveis quanto nós.

Cabe à nossa maturidade saber o que é que estamos buscando da vida, que tipo de religião nos vai fazer a mente, nos vai fazer a cabeça, nos vai influenciar.

Há religiões e religiosos jogando pessoas umas contras as outras. Há religiões propondo a incineração dos infiéis. Infiel será todo aquele que não siga a mesma crença, que não leia pela mesma cartilha. Isso não pode ser um preceito de fé religiosa, isso é um preceito de fanatismo.

Naturalmente, uma sociedade como a em que se vive, na atualidade, exige de nós maiores cuidados.

Não podemos esquecer que estamos há dois mil anos depois de Jesus. Já se passou o tempo em que éramos tão infantis que precisávamos cultuar o bezerro de ouro, como ao tempo de Moisés.

Já passou a época em que éramos tão incipientes que prestávamos culto ao deus Moloc, oferecendo os próprios filhos para que a estátua de ferro os consumisse, apertando-os contra seu corpo e atirando no incinerador.

Já se passou o tempo das pirâmides Totonacas do México, em que oferecíamos as nossas virgens, nossas filhas virgens, para que seus peitos fossem abertos, e seus corações oferecidos aos deuses infelizes que norteavam aquelas cabeças.

Já se passou o tempo de oferecermos aos deuses coisas materiais, dinheiro, presentes, como se as divindades ou se os Espíritos do bem, ou se a Divindade Suprema precisasse do nosso dinheiro, quando ela nos dá saúde e força para o ganharmos aqui na Terra, onde ele é importante para o nosso sustento.

Mas, para que nós superemos essa infantilidade, é necessário que amadureçamos, gradativamente nos perquiramos, perguntemos a nós próprios: O que é que estou buscando da minha crença? Que religião eu desejo ter no mundo?- para que possamos seguir a Deus melhor, e tornar-nos uma pessoa igualmente melhor.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 151, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em abril de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 07.12.2008.
Em 22.04.2009.

9 de ago. de 2010

O TEMPLO PARA O NOVO TEMPO

Ouço pessoas dizendo que vão à igreja (templo) não por causa das pessoas que lá se encontram mas para servir a Deus. Interessante, pois para servir a Deus não precisamos ir ao templo.

Jesus, o Cristo, não se interessava pelo templo de Jerusalém como também não se impressionava pela Jerusalém de seu tempo mais que por Samaria ou qualquer outra cidade ou vilarejo.

O exercício de Sua espiritualidade não se atrelava à religiosidade. Sua adoração era fruto de desconstruções mais do que construções. Ele não desafiava Seus seguidores a construir templos e sim reconstruir suas próprias vidas. Quando chamaram Sua atenção para a imponência do templo construído por Herodes, sua profecia visou à destruição do mesmo. Sabia que as ordens contra a liberdade e os impulsos de Vida partiriam do templo.

Em contato com os líderes religiosos, o que o impressionava não era a teologia, a doutrina, o discurso, a tradição, os sacrifícios, os ritos, a liturgia e, sim, a hipocrisia dos Fariseus, a cegueira patrocinada e perpetuada pela religião, a escravidão duplamente implementada, a espoliação praticada, a maldade legalizada e travestida de piedade.

Não se prendia a usos e costumes e nem aos costumes em uso. Sua piedade e pureza germinavam do coração antes de florescer e frutificar. O compromisso de amor era com as pessoas a quem Ele encontrava e abençoava onde o encontro acontecesse. Sua verdade libertadora emanava da Fé mística, geradora de Esperança - sempre! Sua liturgia era interativa e dinâmica, processava-se no meio do povo e para o povo, rica de atos de compaixão, misericórdia, bondade, acolhimento oriundo do Amor.

Pela herança cristã, convivi e me envolvi com vários templos, quer freqüentando, construindo ou reformando. Viajando por este mundo, adentrei em templos cristãos (evangélicos, anglicanos e católicos), muçulmanos, budistas etc. Em alguns orei, em outros meditei ou "simplesmente" silenciei.

De uns temos para cá, passei a freqüentar mais assiduamente um templo com o qual tenho me surpreendido. Sinto-me cada vez mais acolhido, amado, harmonizado, em paz, além de mais saudável emocionalmente, mentalmente, fisicamente e com muito mais flexibilidade nos relacionamentos.

Neste templo, exerço funções simples mas de suma importância, tais como Porteiro, Faxineiro e Adorador.
Como porteiro, cabe-me cuidar do que entra e do que sai. Nem sempre é possível evitar a entrada de sujeitos mal intencionados com potencial de criar situações desagradáveis.

O templo possui cinco portas mais perceptíveis, delas duas exigem muita atenção. Controlar o que entra, significa muito para manter a harmonia interior. Quando entram sujeitos desagradáveis busco Sabedoria para converter os desagradáveis em agradáveis, de tal forma que ao deixarem o templo, saiam transformados e com poder de abençoar. Ao conseguir tal objetivo percebo-me como que servido por anjos.

Para exercer a função de porteiro observo a orientação de Jesus que é mais ou menos assim: "não é o que entra que causa problema e sim o que sai", ou, parafraseando: não é o que entra, mas como sai. Esforço-me, portanto, para que o sujeito, ao sair do templo, saia transformado, iluminado, banhado de amor e acrescido em sabedoria.

Como faxineiro, o desafio é manter o interior do templo o mais limpo possível. Não obstante gostar de cuidar do exterior, sei que é a limpeza do interior o mais importante, por isso passo bom tempo cuidando do interior. Enquanto trabalho, procuro deixar as janelas abertas para que seja aquecido e iluminado pelo Sol e para que o Vento mantenha no interior o ar sempre renovado, leve e agradável.

Para melhor exercer a função de faxineiro, observo a orientação de Jesus que é mais ou menos assim: "Digno de minha felicitação é o que limpa o coração, pois assim fica fácil ver Deus". Alegra-me perceber o interior iluminado e limpo, sem sombras ou sujeiras. Quanto mais limpo o interior mais fácil fica para mim - e para os outros - ver e sentir a presença de Deus.
Como adorador, confesso que só me sinto confortável quando exerço bem as funções de porteiro e faxineiro. Então, percebo a presença de Deus enchendo todo o templo. Quando isso acontece, a adoração é natural, verdadeira, desejável e muito prazerosa. O interior do templo fica iluminado, o que pode ser visto até do lado de fora. Sinto-me pleno do Espírito Santo, acolhido e amado por Deus, e nutrido pela presença Crística.

Neste templo sagrado me encontro com Deus, recolho-me ao silêncio, harmonizo mente e coração e, ao meditar, sinto-me diluído no Eterno Mistério que com intimidade amorosa chamo de Pai Nosso.

É neste templo que me abandono em contemplação, encantamento e elevação, que ressignifico minha história, que encontro minha alma e a ouço falar a partir do Santo dos Santos situado no meu coração. É neste templo sagrado que encontro comigo e adquiro sabedoria para eliminar os desencontros com o próximo e suavizar os percalços da vida.

Para melhor exercer a função de adorador procuro observar a orientação de Jesus quando disse que os "verdadeiros adoradores adorariam ao Pai em espírito e em verdade", e que para sermos encontrados por Deus como verdadeiros adoradores não dependeríamos de lugares específicos ou fatores externos.

O refúgio que encontrei, onde exerço as funções de porteiro, faxineiro e adorador é o do templo do Grande Espírito, morada de Deus e de minha essência. Falo do meu corpo, que cuido de forma mais apaixonada desde que percebi que ele abriga tudo o que de Deus posso sentir e conhecer. É o meu templo sagrado onde estou todos os dias da minha vida e com o beneficio de poder levá-lo comigo onde quer que eu vá.

Lembre-se: "Dentro de você há um silêncio e um santuário para onde você pode fugir a qualquer hora e ser você mesmo". Hermann Hesse.

Fonte: Somos todos Um
por Oliveira Fidelis Filho - fidelisf@hotmail.com
Teólogo, Psicanalista, Escritor e Conferencista, Compositor e Cantor.
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