27 de mai de 2012

JUDAÍSMO E BUDISMO DIALOGANDO EM PAZ


Diálogos de paz!
Moré Ventura (Judaísmo) e o Reverendo Kazuya Nagashima e Maria Hiromi (Budismo Risho Kossei kai).




21 de mai de 2012

REV. CHRISTIAN LEPELLETIER E A IGREJA DA UNIFICAÇÃO


Reverendo Christian Lepelletier, um dos pilares do Universalismo, e do Diálogo Inter Religioso mundialmente falando. Um dos mais atuantes trabalhadores de UNILUX (Fórum Inter Religioso Universalista), muito respeitado, e sempre aberto ao diálogo, enfim um verdadeiro homem de paz.
Membro do Movimento da Unificação atuando na Federação para a Paz Universal, promovendo a reconciliação e a cooperação entre as religiões, Conselheiro da Federação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial, preparando os noivos para o Matrimônio Sagrado Eterno, casado com Hiroko (nascida no Japão) temos dois filhos nascidos em Taiwan, aonde moramos treze (13) anos, também esteve três anos nos EUA.

Conheçam mais sobre a Igreja da Unificação, com respostas do próprio Reverendo Christian.

Boa leitura!
Blog dos Universalistas


1 - Reverendo Christian, quando e onde surgiu a Igreja da Unificação?
R: Foi em Seul, na Coréia do Sul, que a Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial mais conhecida como Igreja de Unificação foi oficialmente fundada no dia 1° de maio de 1954.

2 - Quem é o Reverendo Moon?
R: Sun Myung Moon nasceu na Coreia em 1920, em uma família camponesa convertida ao cristianismo. Desde criança revelou um caráter verdadeiramente excepcional.
Ainda muito jovem, percorreu as igrejas da Coreia, interrogando os padres e os pastores sobre as verdades bíblicas e universais. Mas ele não estava satisfeito com as respostas que as igrejas estabelecidas lhes davam e nem com as filosofias e as religiões existentes.
Com a idade de 16 anos teve uma visão na qual Jesus lhe apareceu, enquanto orava na montanha, numa manhã do domingo de Páscoa. Jesus explicou-lhe que, originalmente Deus O tinha enviado para salvar todos os homens, mas que a sua missão na Terra tinha ficado incompleta devido aos seus contemporâneos não O terem recebido. De agora em diante era a ele, Sun Myung Moon, que incumbia para completar a sua missão inacabada. Diante de uma responsabilidade tão pesada, ele havia que hesitar, mas Sun Myung Moon acabou aceitando.
E foi ao cabo de 9 anos de oração, de jejum, de estudo e de luta espiritual intensa, sozinho face a face com um mundo hostil e ignorante da sua missão, que Sun Myung Moon conseguiu o conjunto dos elementos dos Princípios Divinos e, com eles, a resposta às questões fundamentais que nunca tinham sido resolvidas até então.
Sun Myung Moon com 19 anos, foi para o Japão prosseguir os estudos de engenharia na Universidade de Waseda. A experiência do Japão permitiu a Sun Myung Moon, sobretudo, alargar o seu campo de visão do mundo, de aprofundar a compreensão dos problemas encontrados pelos homens de todos os países e de comparar os Princípios que descobrira, com o conhecimento científico dos tempos modernos.
Depois de passar alguns meses na Coreia do Sul, ele estabeleceu-se em Pyongyang, capital da Coreia do norte, onde o regime comunista tinha acabo de se implantar. Muitos cristãos desta época se reuniam à volta de Sun Myung Moon, na altura em que principiava a perseguição dirigida pelos comunistas contra os grupos religiosos. Depois do tempo na prisão, ele começou a pregar e obteve um sucesso tal que suscitou a inveja das igrejas estabelecidas. Alguns cristãos chegaram ao ponto de denunciá-lo às autoridades comunistas e, então voltou a ser preso a 22 de fevereiro de 1948.
No dia 14 de outubro de 1950, Sun Myung Moon foi libertado do campo de Hung Nam pelas forças da ONU. Após um desvio por Pyongyang onde reencontrou seus discípulos, dirigiu-se para o sul até a cidade de Pusan onde se fixou. Foi também nesta época que ele esquematizou definitivamente os ensinamentos do Princípio Divino. Durante o verão de 1951, o fundador da Igreja de Unificação construiu com suas próprias mãos um abrigo com barro e caixas de ração do exército americano, nos flancos de uma colina de Pusan. Esta humilde habitação servia-lhe de abrigo e ao mesmo tempo como centro de ensino do Princípio Divino.
A maioria dos membros da Igreja da Unificação acreditam que o Reverendo Moon foi escolhido por Deus e ungido por Jesus como herdeiro e sucessor da missão de Messias ou Cristo. Em 1960 realizou pela primeira vez na historia a Cerimônia de Casamento Sagrado, as “Bodas do Cordeiro” mencionadas no livro da Apocalipse, com sua noiva Sra Hak Ja Han, assim estabelecendo o modelo de Verdadeiro Casal, restaurando a falha de Adão e Eva, e abrindo o caminho de Verdadeiros Pais para toda a humanidade.

3 - A Igreja oferece cursos ou alguma metodologia de ensino para o fiel que está interessado em estudar os livros sagrados?
R: A teologia do Movimento da Unificação é baseada no livro do Princípio Divino. A Igreja oferece palestras de apresentação do Princípio Divino todos os domingos, também seminários de final semana no sítio, além de retiros de sete dias.
Slides de introdução ao Princípio Divino:
http://www.slideshare.net/chrislepel/introduo-princpio-divino
Introdução do Princípio Divino no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=OfpD9w4O8qk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=kNcm8topNn4&feature=BFa&list=UU0W9M3nDGB6TVm1zA-I4QIw&lf=plcp
Livro do Princípio Divino:
http://www.familias.org.br/principio-divino.html
Além de assistir às palestras e de participar dos Cultos do domingo e estudar a Palavra de Deus. Os fiéis são encorajados de participar de um pequeno grupo e contribuir tempo, talento e contribuições desenvolvendo um sentimento de pertence e a capacidade de amar afim de que no final de nossa vida, possamos dizer, nós conseguimos herdar o Verdadeiro Amor de Deus, para que todas as pessoas possam crescer, evoluir à medida que ela progride ao longo da vida. As escrituras sagradas originais são em língua coreana.


4 - Por que o nome de “Unificação”?
R: O fundador Reverendo Moon abriu o caminho da Unificação da mente (espírito) e do corpo do individuo (ser humano) centralizado em Deus Criador, fonte de Vida, Amor e Linhagem. Abriu o caminho da Unificação (harmonia) do casal centralizado em Deus, a família unificada é a base de uma Comunidade, Sociedade e Mundo Unificado de Paz e Harmonia centralizado em Deus.

5 - Qual a importância do diálogo inter religioso?
R: O dialogo inter-religioso é o primeiro passo para a reconciliação e a cooperação entre as religiões e pré-requisito para a Paz Mundial. De um lado, os lideres religiosos tem a responsabilidade de construir a Harmonia Inter-religiosa, representando a Consciência (Mente) da sociedade e de outro lado os lideres religiosos tem a responsabilidade de direcionar o Governo representando o Corpo da sociedade.
A Igreja da Unificação iniciou e patrocinou a publicação das Escrituras Mundiais, um volume que reúne os valores universais das religiões do mundo, ajudando a superar as barreiras entre as religiões, mostrando os valores compartilhados, uma fonte universal comum e que as diferenças que historicamente dividiu as religiões são pequenas.
O Movimento da Unificação criou o Serviço Inter-religioso da Juventude fornecendo aos jovens de diversas culturas e religiões oportunidades de serviço que permitem de quebrar as barreiras, praticar o altruísmo, facilitar a amizade e construir uma comunidade inter-religiosa, compartilhar a espiritualidade e as tradições religiosas com os outros e aprender sobre os vários caminhos e características de construção da cultura da Paz.
Em 18 de agosto de 2000, o Rev. Sun Myung Moon proferiu um discurso na Sede da ONU chamando para a renovação da ONU, enfatizando que um mundo de paz poderá ser realizado somente quando os líderes religiosos mundiais trabalharão cooperativamente e respeitosamente com os líderes nacionais. Sérias considerações deveriam ser dadas para formar uma assembleia religiosa ou um conselho de representantes religiosos dentro da estrutura da ONU.

Conheça mais sobre a Igreja da Unificação nos sites abaixo:



20 de mai de 2012

JESUS CRISTO SEGUNDO O ISLAMISMO


Programa "As chaves do Paraíso" fala sobre Jesus Cristo, o Profeta para os Muçulmanos.




13 de mai de 2012

ORAÇÃO DOS PRETOS VELHOS


13 de maio comemora-se o Dia dos Pretos Velhos.


Vídeo extraído do CEU ESPERANÇA, link: http://ceuesperanca.blogspot.com.br/





MARIA DE NAZARÉ - FELIZ DIA DAS MÃES


O Blog dos Universalistas parabeniza todas as mães, desejando muito amor, alegria e felicidades.

Por falar em mães, uma homenagem a grande Mãe do Mestre Jesus: Maria de Nazaré!

Aproveitando também o dia 13 de maio em que comemoramos o dia de Nossa Senhora de Fátima.




10 de mai de 2012

ARTIGO DE MORÉ VENTURA

Deus ou deus? Qual é o seu?


“Ontem fui à academia fazer ginástica, quando uma mulher me ofendeu e me amaldiçoou pelo fato de minha religião, o judaísmo, não incluir a figura de Jesus como Deus, filho de Deus e Messias, dizendo que por causa disso o Criador, o qual cultuo me odiava e que eu herdaria as agruras e os tormentos indizíveis do inferno eterno.”

Moré, o que você responderia a esta mulher?

-Ontem a noite um amigo do Face me mandou esta pergunta, e como um bom judeu, vou responder sua pergunta com exatamente outras três perguntas:

Cara irmã – Tomo a liberdade de te chamar assim, pois de acordo com a visão religiosa fraterna na qual acredito, somos todos filhos do mesmo Deus e, portanto, irmãos, (mesmo que você insista no contrário, ou talvez ache normal imaginar seus irmãos queimando nas labaredas do inferno).

Quero te fazer três perguntas sobre as palavras que você endereçou ao nosso irmão na academia, (Alias, um lugar desaconselhável para alguém com seu aparente nível de zelo religioso):

1-Você realmente acredita que Deus, o Compreensível, o Piedoso, o Sábio, que é a Fonte de todo o Amor e Bondade existentes no mundo, que conhece as limitações de cada ser humano e a diversidade das culturas vai mandar alguém para o inferno eterno só por que enquanto o servia, chamava-o de um nome ou de um número “diferente” do que Ele supostamente consideraria ideal?

2-Você realmente acredita que o Piedoso e Bondoso Deus mandaria seres humanos que respeitam seus pais, irmãos e amigos, que praticam a caridade, que tratam os outros humildemente e que vivem na fé para virarem churrasco de um rodízio sem fim só por que o cultuaram da forma na qual foram educados desde sua infância?

3-Você realmente acredita, minha zelosa irmã, que Nosso Humilde Pai e Criador enviaria dois terços da humanidade, ou seja, bilhões e bilhões de almas, ao tormento e à tortura eterna, demonstrando desta forma, menos compreensão do que uma psicóloga, menos piedade do que uma simples criança e menos amor do que um simples pai?

Se suas respostas forem positivas, minha irmã, recomendo lhe que mude em suas preces o nome do deus o qual cultua, pois neste caso ele deve começar com a letra “d” minúscula, e não com a maiúscula, por se tratar de um nome Impróprio.

Alias, não sei se isto também vai desagradar o seu zelo,cara irmã, mas preciso lhe informar mais uma coisa: Para nós judeus, só existe um Deus, o Todo Poderoso, Onisciênte, Onipresente, Piedoso e Compreensível Pai de toda a humanidade, que com certeza não é o mesmo que você mostrou cultuar!

Viva o diálogo inter religioso, Viva a cultura de Paz!
Religião sem amor e compreensão – seja La qual for – Não é religião!
Judaismo é atitude! More Ventura!


Amigos, segue o link da Fonte deste artigo, acessem e vejam também outras ótimas matérias e vídeos.


8 de mai de 2012

MALDITO BENEDITO (parte 2)





« continuando da parte 1


Bruma de Ouro, o Ocidente ilumina

A janela. O assíduo manuscrito

Aguarda, já carregado de infinito.

Alguém constrói a Deus na penumbra.

Um homem engendra a Deus. É um judeu

De olhos tristes e pele pálida;

O tempo o leva como leva o rio

Uma folha que desce pelas águas.

Não importa. O feiticeiro insiste em esculpir

A Deus com geometria delicada;

De sua enfermidade, de seu nada,

Segue erigindo a Deus com a palavra.

O amor mais pródigo lhe foi outorgado,

O amor que não espera ser amado.


Baruch Spinoza, poema de Jorge Luis Borges (tradução de Rafael Arrais).


Uma suave cabeça pensativa


Se Descartes havia separado mente e corpo um substâncias distintas, esta material, a primeira espiritual, Espinosa foi mais além: para o pensador holandês, só poderia haver uma única substância, pois que se houvessem duas, ambas deveriam necessariamente ser o resultado de uma substância ainda anterior. Num brilhante encadeamento de causa e efeito, chegou a “substância que não poderia criar a si mesma”, sendo ela, portanto, incriada e eterna, aquela que se opõe ao nada (afinal, existe algo). Portanto, mente e corpo, e todos os componentes do Cosmos, nada mais eram do que irradiações da substância, que era o próprio Deus. Espinosa não cria que as coisas eram apenas materiais ou espirituais, mas que eram materiais e espirituais, mundanas e divinas, ao mesmo tempo.


Com toda sua filosofia edificada no próprio Deus, Espinosa terminou por ser o grande reformador do pensamento ocidental, o grande “destruidor da autoridade eclesiástica”, não porque fosse um “matador de deuses”, conforme Nietzsche, mas porque substituíra as interpretações bíblicas de Deus por uma ainda mais profunda, baseada apenas na pura lógica filosófica. Quando Nietzsche proclamou que o deus bíblico estava morto, foi porque Espinosa já o havia retirado de seu pedestal há muito tempo... Caíra um deus semelhante aos homens, e surgira um Deus cósmico, irradiador de todas as partículas e todas as galáxias do universo.


A filosofia de Espinosa, entretanto, não era para qualquer um. Era preciso uma certa abertura da mente, um certo distanciamento das paixões embutidas em crenças e descrenças, para que pudesse ser compreendida em toda sua profundidade. Apesar de “Ética” ter sido sua obra prima, as bases lógicas que a sustentam já estavam prontas desde sua juventude... Porque então Espinosa somente entregou seu livro para os amigos publicarem já nos últimos dias de vida, quando certamente já pressentia a própria morte? Ora, é que Espinosa nunca quis ser nenhum revolucionário, e em realidade sabia muito bem que seu sistema filosófico poderia, e provavelmente causaria uma revolução no mundo ocidental. E ele estava certo.


Ao descrever Deus como uma força cósmica, impessoal e sem características humanas, Espinosa não estava sendo completamente original. Sua premissa já era conhecida de místicos orientais e até mesmo da cabala judaica, além de conter referências claras a filosofia estoica e, em menor escala, ao atomismo das escolas gregas. A sua forma “geométrica” de descrição da própria filosofia, sem dúvida influência de Descartes, é que terminou por tornar a “Ética” uma obra prima tanto da filosofia quanto da espiritualidade humana... E, como toda obra desse porte, não escapa dos grandes paradoxos:


O bem e o mal

Para Espinosa o bem e o mal eram conceitos relativos às sociedades humanas, e não fazia sentido crer em um deus que observa e pune os pecados alheios. Ao mesmo tempo, entretanto, a própria busca do conhecimento de Deus era uma virtude, e os sábios que a empreendiam agiam naturalmente no bem, e afastavam automaticamente o mal, na medida da sabedoria de cada um.


Do determinismo

Em sua filosofia constatamos que a grande maioria dos homens e mulheres são guiados por desejos provenientes das paixões da alma, de modo que quase ninguém consegue ser efetivamente livre, e tudo parece estar determinado pelo eterno movimento das substâncias... Por outro lado, existiam alguns poucos que conseguiam olhar para dentro de si próprios e identificar ou até mesmo compreender tais paixões. Do autoconhecimento dos seres, em maior ou menor grau, surgia a liberdade em grau correspondente. A atividade mais nobre de um ser seria, portanto, buscar a compreensão do próprio Deus, pois no fundo somos uma forma do Cosmos compreender a si mesmo.


Do deísmo

Espinosa negava totalmente que as verdades acerca da criação pudessem ser reveladas, como através de santas tábuas ou inspirações divinas. Por isso foi muitas vezes considerado um líder deísta. Mas, sob outro ponto de vista, o fato de todos sermos formados pela irradiação da substância divina, e termos uma conexão direta com a eternidade, nos faz automaticamente receptáculos diretos do movimento de Deus. Talvez não fosse possível que Deus se revelasse diretamente a alguns ditos profetas, um movimento em nossa direção; Mas era perfeitamente possível que cada um de nós compreendesse parte da fagulha divina que trazemos, todos nós, num movimento em direção ao infinito.


Do panteísmo

Se por um lado os críticos terão razão em dizer que a filosofia de Espinosa faz da Natureza um novo Deus, e a engrandece, por outro estarão equivocados em afirmar que Espinosa reduziu Deus a meros eventos naturais, às coisas que compõe o Cosmos... Assim como Epicteto se referia a um “Zeus, Deus dos deuses”, Espinosa deixou claro que todos os materiais que compõe o mundo, sejam os corpos e partículas materiais, sejam os mentais, são todos irradiações da substância divina. Tudo é Deus, de modo que não faria sentido tentar encontrar a Deus apenas em catedrais grandiosas ou através da mediação dos eclesiásticos, qualquer pedra ou galho partido seria tão divino quanto tudo o mais. É somente através da razão, uma razão conectada ao Cosmos, de acordo com o logos grego, que poderemos apreciar o contato com Deus, estejamos onde estivermos.


Do ateísmo

Se por um lado Espinosa foi acusado de ateísmo em sua época, por outro qualquer um com certo discernimento compreenderá que a acusação se referia ao fato de ele ter contrariado diretamente os dogmas das doutrinas religiosas vigentes, particularmente negando milagres e a autoridade dos eclesiásticos. Mesmo sua crítica a Bíblia se focava exclusivamente na interpretação literal, e ainda que negasse os milagres enquanto eventos sobrenaturais, o próprio Espinosa buscou explicações naturais para alguns deles, como, por exemplo, o da “divisão” do Mar Vermelho, que parecia a Espinosa que fosse um evento natural, explicado pelo vento.

O grande pensador holandês não poderia, entretanto, ser menos ateu no sentido de negação a priori da existência de um Criador. Não só toda sua filosofia se sustenta em Deus, o próprio sentido de virtude e de ética que sempre defendeu consistia em, a todo momento, saber diferenciar as paixões mundanas dos desígnios sagrados da Natureza, e somente assim, seguindo a Natureza e não as próprias paixões, ser verdadeiramente livre e feliz.


Na preposição final da “Ética”, Espinosa inaugura quase que uma nova religião filosófica universal: “o estado de bênção não é a recompensa da virtude, mas a própria virtude; também não usufruímos desse estado por restringir nossas luxúrias; ao contrário, justamente porque usufruímos dele é que somos capazes de restringir nossas paixões”. A salvação, apesar de árdua e rara, não precisava ser postergada para depois da morte. A filosofia de Espinosa era uma reflexão sobre a vida, e de como, talvez um dia, alcançar a salvação dentro deste mundo – um mundo tão divino quanto mundano.


O monumento feito em homenagem a Espinosa, em Haia (na Holanda) foi assim comentado por Ernest Renan em 1882:


"Maldição sobre o passante que insultar essa suave cabeça pensativa. Será punido como todas as almas vulgares são punidas – pela sua própria vulgaridade e pela incapacidade de conceber o que é divino. Este homem, do seu pedestal de granito, apontará a todos o caminho da bem-aventurança por ele encontrado; e por todos os tempos o homem culto que por aqui passar dirá em seu coração: Foi quem teve a mais profunda visão de Deus".


Maldito Benedito Espinosa! Maldito, na boca dos de alma pequena, somente Benedito nas demais...


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Crédito da imagem: Wikipedia (estátua de Espinosa em Haia).



 


Fonte: O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais (raph.com.br)


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