14 de jan de 2010

OBSESSÃO ESPIRITUAL RECONHECIDA PELA MEDICINA



Por Oswaldo Shimoda

Em artigos anteriores, escrevi que a Obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.
No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social.
Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do ser humano e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente corpo e espírito.
Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, psicológico e espiritual. Desta forma, a Obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicina como possessão e estado de transe, que é um item do CID -O Código Internacional de Doenças- que permite o diagnóstico da interferência espiritual obsessora.
O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença. Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos -nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura- bem como na interferência de um ser desencarnado das trevas, a Obsessão espiritual.
Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios. O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura.
Na Faculdade de Medicina da USP, o Dr.Sérgio Felipe de Oliveira, médico, coordena a cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade.
Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.
Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas. Em minha prática clínica, a grande maioria de meus pacientes, que são rotulados pelos psiquiatras de “psicóticos” por ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência), na verdade, são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental, psiquiátrico.
Muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o ser integral.
Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser estudada de forma séria e aprofundada para que possamos melhorar a qualidade de vida do enfermo.
Por conta disso, escrevi um artigo em meu site, cujo título é “Terapia Médica e Terapia Espiritual: Por que dividir se podemos somar” , a importância de agregarmos as duas abordagens terapêuticas.
Neste aspecto, a Terapia Regressiva Evolutiva (TRE) - A Terapia do Mentor Espiritual - Abordagem psicológica e espiritual breve, canalizada por mim através dos Espíritos Superiores do Astral, foi criada; não para substituir a medicina, mas, sim, complementá-la. Melhor explicando: a medicina cuida do organismo físico e a TRE da alma, do espírito. Essa é a minha esperança, que as duas possam um dia caminhar lado a lado, formando uma parceria e quem sai ganhando é a população.
Caso Clínico:
Por que nunca namorei, não consigo me firmar, ter um relacionamento duradouro?
Mulher de 31 anos, solteira.
Veio ao meu consultório querendo entender o por quê de nunca ter namorado, ter tido um relacionamento duradouro.
Apesar de ser uma mulher bonita, não despertava interesse nos homens. E, quando despertava esporadicamente, só apareciam homens casados e estrangeiros, mas logo se desinteressavam e sumiam de sua vida.
Sentia também muita tristeza e não conseguia dormir no escuro.
Na academia de ginástica, com freqüência, via uma sombra, uma forte impressão de ter alguém atrás dela.
Na 1ª sessão de regressão, ao pedir à paciente atravessar o portão (é um recurso técnico utilizado nessa terapia, que funciona como um portal da espiritualidade, e que separa o passado do presente, o mundo espiritual do mundo terreno), ela me relatou:
“Vejo uma névoa esbranquiçada, cerrada (ao atravessar o portal, é freqüente os pacientes regredirem trazendo lembranças de uma vida passada em forma de cenas, imagens, névoas esbranquiçadas, acinzentadas ou escuras - que correspondem, respectivamente, às regiões intermediárias do astral superior e inferior).
Estou pairando, flutuando… Vejo um homem nitidamente, usa uma túnica branca, que lembra a figura de Jesus Cristo. Ele também usa barba e cabelos compridos. Na verdade, eu o vi antes de atravessar o portal. Vi também uma imagem feia, assustadora -era o rosto de um homem-, depois sumiu (nessa terapia, o obsessor espiritual dos pacientes, costuma se manifestar mostrando o rosto ou partes dele; um olho ou um par de olhos)”.
- Pergunte ao homem de túnica branca quem é ele, peça para se identificar - sugiro à paciente.
“Ele diz que é o meu mentor espiritual (ser desencarnado diretamente responsável pela nossa evolução espiritual, também chamado de anjo da guarda pela Igreja Católica, e guia espiritual pelo Candomblé e Umbanda).
O meu mentor espiritual estava me dizendo que ia me levar a um lugar e aí apareceu outra imagem, um olho de um rosto feio… mas desapareceu. Agora ele fala que vai me levar onde preciso ir (pausa).
Vejo uma estrada escura… Ele me diz: ‘É isso que você precisa saber’.
Na estrada deveriam estar passando carros, mas está vazia e é noite.
Parece ser uma rodovia… agora ele me chamou para ir com ele novamente, diz que vai me mostrar outra coisa (pausa).
Parece um acidente… e tem uma mulher. Ela usa um lenço na cabeça, mas não está nessa rodovia. Eu a vejo em outro lugar. Ela chora de desespero… parece que perdeu alguém, acho que foi nesse acidente.
Eu vejo também um carro prata todo destruído, contorcido. Ela perdeu alguém nesse acidente”.
- Busque saber quem ela perdeu - peço à paciente.
“É o filho dela… e continuo vendo a rodovia”.
Na segunda sessão de regressão, antes de iniciarmos, a paciente comentou que a cena daquela rodovia não saiu de sua cabeça, ainda via nitidamente aquelas imagens. Comentou também que quando dirige tem a tendência de correr bastante. As pessoas sempre falaram que ela corria muito, mas ela nunca admitiu. No entanto, ao sair da primeira sessão de regressão, quando estava dirigindo, percebeu pela primeira vez que realmente corria bastante.
Ao regredir a paciente relatou:
“Vejo novamente aquela névoa esbranquiçada. Estou no meio dela… vejo o meu mentor espiritual. Ele sorri e me diz: ‘Vamos, você precisa se curar! Aquele acidente foi você que provocou em vida passada’.
- Pergunte ao seu mentor por que você provocou esse acidente? - Peço à paciente.
“Vejo dois carros naquela rodovia correndo em sentido oposto, com os faróis altos.
Eu corria demais, era noite naquela rodovia (pausa). Agora eu e o meu mentor espiritual estamos num caminho, tem mato dos dois lados. Está amanhecendo… a gente caminha olhando para o chão de terra (pausa).
Apareceu a imagem de uma morena, cabelos compridos. Vejo-a de mãos dadas com uma pessoa… é um rapaz, aparece cabisbaixo para mim. Eu não o conheço (na verdade, a paciente não o reconhece por conta do ‘véu do esquecimento’ do passado que a impede de lembrar a experiência dessa existência passada).
Ele veste uma camiseta preta, calça jeans, tem cabelo liso, tem entre 20 e 25 anos. Esse rapaz está deitado nesse chão de terra, com os olhos fechados.
Estou em pé, próximo da cabeça dele.
Ele está deitado e não se mexe, nesse lugar de mato onde o meu mentor espiritual me levou. Eu vejo o corpo dele em preto e branco e a imagem do local é colorida. (pausa).
Agora vejo-o de bruços; sinto (paciente intui) que ele está ferido, mas não vejo sangue”.
- Descubra quem é esse rapaz - peço à paciente.
“O meu mentor me responde: ‘Ele era noivo, tinha planos e você os interrompeu. Aquela senhora de lenço na cabeça que você viu na primeira sessão de regressão era a mãe dele.
Portanto, foi esse rapaz que morreu no acidente, na colisão de carros. A moça que você viu de mãos dadas com ele era a sua noiva, eles iam se casar (pausa)’.
Dr. Osvaldo, eu ouço o rapaz me dizendo que preciso pagar por isso. O meu mentor diz que preciso me arrepender pelo que fiz, e que a minha cura depende disso. Esclarece que esse rapaz, meu obsessor espiritual, me acompanha onde quer que eu vá. É ele que está provocando o meu insucesso amoroso, porque não se conforma por ter tirado a vida dele no acidente de carro dessa vida passada. Ele está caído no chão, mas vejo o rosto dele olhando para mim com ira.
O meu mentor espiritual me diz que nesse acidente saí ilesa, não me aconteceu nada. Diz também que esse rapaz estava sem cinto de segurança e, com isso, foi arremessado para fora de seu carro e caiu nesse mato, que fica à margem da rodovia. Ele ia ser médico e era filho único. A mãe dele ainda hoje cultua (reza) a sua imagem”.
- Pergunte ao seu mentor espiritual em que época ocorreu esse acidente - peço à paciente.
“Ele diz que foi duas vidas antes da atual. Fala que antes de ocorrer o acidente, estava dirigindo o meu carro em alta velocidade, mexendo no rádio e, com isso, acabei me distraindo”.
- Você era homem ou mulher nessa vida passada? - Pergunte ao seu mentor espiritual.
“Ele diz que era homem, e que eu estava embriagado, por isso estava correndo demais. Portanto, as causas do acidente foram a velocidade em excesso, a distração e a embriaguez (pausa).
O rapaz está me dizendo que me quer para ele porque se sente sozinho, pois perdeu o amor dele”.
- Pergunte se o seu mentor espiritual tem mais alguma coisa a lhe dizer - peço à paciente.
“Ele diz novamente: ‘Você precisa se arrepender, esse rapaz quer que você fique sozinha, igual a ele’.
Ele esperou a sua encarnação atual para fazer isso, e a mãe dele alimenta o seu espírito”.
- Como ela faz isso? - Peço à paciente para perguntar ao seu mentor.
“Mantendo a sua ira, a vontade de se vingar de mim… vejo-a num quartinho rezando. O meu mentor diz que na vida anterior à atual, eu ainda reencarnei como homem. Então, esse rapaz esperou que eu viesse como mulher na vida atual porque como não podia ter a sua noiva de volta, me quis para substituí-la.
Portanto, ele sabia que na encarnação atual eu iria sofrer tanto quando ele se ficasse sozinha, sem nenhum namorado”.
Ao final desta sessão pedi para que ela fizesse a oração do perdão para esse rapaz.
Na sessão seguinte (terceira e última), a paciente comentou que em dois momentos, quando estava fazendo a oração do perdão, levantou as mãos -em imposição- irradiando a luz dourada de Cristo para esse rapaz, mas sentiu suas mãos tremerem e os braços pesados, como se alguém estivesse impedindo a irradiação.
Num outro momento, sentiu que não era ela que estava lendo a oração. Esclareci dizendo à paciente que é comum ao ler a oração do perdão, o obsessor espiritual participar da oração.
Na última sessão, ao regredir, a paciente me relatou:
“Vejo novamente aquele névoa branca, visto uma túnica dourada, estou descalça, com a mesma aparência física da vida atual (pausa).
Vejo agora um jardim vasto, bem verde, com gramados, não têm árvores, é dia, tem sol. Eu me sinto bem, é um lugar bonito (pausa).
Vejo um homem, mas ele está bem longe, não consigo me aproximar dele”.
- Veja quem é esse homem - pergunto à paciente.
“O meu mentor espiritual me diz que esse rapaz é um presente, que ele está destinado a mim (é comum também nessa terapia, além da regressão de memória, o mentor fazer uma progressão, ou seja, uma revelação futura, caso ache necessário). Mas afirma que só depende de mim me aproximar desse rapaz.
Ele me esclarece que não estou conseguindo me aproximar desse rapaz porque tenho que fazer a minha parte, que é guiar o meu obsessor espiritual à luz. Diz também que o obsessor espiritual está se sentindo mais calmo, mas que preciso continuar com a oração do perdão.
Reforça me dizendo: ‘Você precisa se arrepender’.
Eu lhe pergunto de que forma posso me arrepender… como se dá isso?
Ele fala que o arrependimento vem da alma, e que vou sentir isso. Quando me arrepender do fundo de minha alma, de meu coração, tudo vai mudar em minha vida e que só assim, definitivamente, vou me libertar de meu obsessor”.
- Pergunte ao seu mentor de onde vem à sua tristeza - peço à paciente.
“Ele diz que essa tristeza em grande parte vem do obsessor, mas vem de mim também”.
- Pergunte-lhe por que você dúvida; se tudo isso não é imaginação sua, uma fantasia… (paciente me perguntou no final da sessão anterior se tudo o que trouxe até agora, como conteúdo da regressão, não era uma fantasia, produto de sua imaginação).
“Ele diz que no fundo sei que tudo isso não é uma fantasia, e que não é de hoje que ele conversa comigo (pausa).
Concordo com ele, realmente escuto uma voz dentro da minha cabeça que fala comigo. Eu achava que era algo do meu pensamento”.
- Pergunte ao seu mentor espiritual como você pode diferenciar o que é pensamento seu de um pensamento que vem dele - pedi à paciente.
“Ele responde que é através dos sentimentos; portanto, diz que eu sinto quando é ele. Esclarece que quando é o meu pensamento, não tem um diálogo. E quando é ele, há um diálogo muito claro, inconfundível”.
- Por que então você questionou na terapia se foi uma fantasia, uma imaginação esse diálogo com ele? - Pergunto à paciente.
“Ele diz que é porque ainda não tinha despertado a minha consciência. Mas afirma que agora eu despertei”.
- Pergunte ao seu mentor se devemos ou não continuar com o tratamento - peço à paciente.
“Ele diz que não precisa, foi o suficiente, pois o que tinha que saber nessa terapia eu soube. Agora sei de onde vem o meu problema. Ele está se despedindo, indo embora”.


Fonte: Blog C. E.U. Esperança

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