12 de ago de 2010

DESMISTIFICAÇÃO - CATÓLICOS NÃO ADORAM IMAGENS


Os católicos adoram imagens ?

Com muita freqüência somos questionados por outras denominações cristãs do porquê das imagens em nossas Igrejas. Alegam elas que Deus proibiu de fazê-las e quem as tem, torna-se idólatra porque ‘cultua as imagens’.

Primeiro deve ficar bem claro que católico nenhum é idólatra apenas porque vê nas imagens uma forma de expressão religiosa e, segundo, todo cristão deveria conhecer melhor a Bíblia para entender porque Deus proibiu que se fabricasse outros deuses (veja bem, a Bíblia fala em outros deuses e não imagens ou esculturas de santos).

Para entender corretamente este assunto, é preciso esquecer o presente e dar um mergulho no passado; sair do nosso século, mergulhar uns 3.000 anos atrás e entrar em outra época, outra moda, outro estilo e concepção de vida. Aí então será mais fácil entender o motivo da proibição de fazer imagens, pois naquela época os povos antigos fabricavam deuses.


E como alguém poderia fabricar um deus? Não é difícil entender.


Hoje nós acreditamos num único Deus criador de todas as coisas e que nos foi revelado por Jesus Cristo, mas, antigamente, há uns 3.000 anos atrás, não era assim. As pessoas achavam que cada povo provinha de um deus. E como num mesmo país havia, às vezes, vários povos, existiam também tantos deuses quanto povos existissem. Como tinham deuses diferentes queriam representá-los através de imagens e, desse modo, esses povos antigos fabricavam seus deuses.


Hoje, para nós, é até engraçado lembrarmos que aqueles povos fabricavam imagens e as proclamavam deuses. É uma mentalidade tão absurda que dificilmente podemos entender que possa ter havido gente assim.


Mas houve, a própria Bíblia relata, um momento de fraqueza do povo do Antigo Testamento quando pediram para Aarão que fizesse um deus para eles. ‘Quando o povo notou que Moisés estava demorando para descer da montanha, reuniu-se em torno de Aarão, e lhe disse: ‘Vamos! Faça para nós um deus que caminhe à nossa frente..." (Ex 32, 1 ss). Foi assim que surgiu a história do bezerro de ouro que é bastante conhecida nossa.


Portanto, se naquela época havia essa mentalidade absurda, Deus tinha razão de proibir a feitura de imagens: "Eu sou Javé seu Deus, que fiz você sair da terra do Egito, da casa da escravidão. Não tenha outros deuses diante de mim. Não faça para você ídolos, nenhuma representação daquilo que existe no céu e na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não se prostre diante desses deuses, nem sirva a eles, porque eu, Javé seu Deus, sou um Deus ciumento... (Ex 20, 2-5)


Mas é muito importante que fique bem claro que o erro não estava em fazer imagens ou estátuas, mas em reconhecê-las como sendo deuses.


Diante da fraqueza do povo, Deus teve de dar um mandamento (Ex 20, 2-5) que impedisse a aparição de tantos deuses falsos e proibiu a fabricação de imagens que eram apresentadas como deuses, pois isso é idolatria. Porém, o mesmo Deus que proibiu fazer imagens, em outras circunstâncias, pede para que elas sejam feitas. É isso que vamos ver hoje.


Deus manda colocar imagens junto à Arca da Aliança.


A Arca da Aliança é o lugar central da religião do povo israelita no Antigo Testamento; ela representava a própria presença de Deus no meio do povo. Veja o que Deus pede a Moisés: "Nas duas extremidades da placa, faça dois querubins de ouro batido: cada um sairá do extremo da placa e a cobrirão com as asas estendidas para cima. Estarão diante um do outro... Aí me encontrarei com você; e, de cima da placa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, direi a você tudo o que deve ordenar aos filhos de Israel" (Ex 25, 18-22). Observe-se um detalhe importante: Deus vai se manifestar ao povo ‘do meio dos querubins’, isto é, entre duas imagens feitas por mãos humanas.


Deus manda fazer uma imagem de serpente.


Quando o povo estava no deserto, portando, longe dos povos que transformavam estátuas ou imagens em deuses (no caso o Egito), o próprio Deus mandou Moisés fazer uma imagem ou estátua de uma serpente de bronze para que todo aquele que ‘olhasse para ela’ fosse salvo das picadas de cobra.


"Moisés suplicou a Javé pelo povo. E Javé lhe respondeu: ‘Faça uma serpente venenosa e coloque-a sobre um poste: quem for mordido e olhar para ela ficará curado.’ Então Moisés fez uma serpente de bronze e a colocou no alto de um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado" (Nm 21, 7b-9).


Esse episódio da Serpente de Bronze ficou muito conhecido e sua fama chegou até o tempo de Jesus. O próprio Jesus demonstra conhecê-lo quando o menciona num diálogo que teve com Nicodemos. "Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna" (Jo 3, 14-15).


As imagens que existiam no templo construído por Salomão foram abençoadas por Deus.


A Bíblia nos relata que o rei Salomão construiu um templo majestoso em honra ao Deus de Israel. Ali, dentro do Templo, mandou erigir duas enormes estátuas de querubins, que de uma ponta a outra tinham 20 côvados, que correspondem a mais ou menos 10 metros (2 Cr 3, 10-11ss).


A Bíblia nos conta ainda, que Deus se agrada deste templo e demonstra isso no dia da sua inauguração (2 Cr 7, 1-3) e, ao aparecer a Salomão e manifestar seu agrado dizendo que escolheu e consagrou aquele templo com suas imagens, para que o povo vá e glorifique o nome do Deus Altíssimo (2 Cr 7, 12.16). Neste mesmo templo havia outras imagens, como é o caso das 12 estátuas de bois que serviam de base para o tanque de água que servia para a purificação dos sacrifícios que eram oferecidos a Deus. A descrição dessas estátuas podem ser encontradas em 2 Cr 4, 3-4; ou 1 Rs 7, 25ss. Logo, o templo abençoado e consagrado por Deus era um templo que tinha muitas imagens.


Fazer imagens, ter imagens em casa ou na Igreja não se constitui em idolatria nem é proibido por Deus. Quando a imagem é um instrumento que remete o nosso pensamento até Deus, Ele não só as aprova como pede que sejam feitas, como se pode ver.


Já os primeiros cristãos utilizavam-se de imagens rabiscadas na areia do chão para se identificar mutuamente. Nessas imagens não havia nem um pouco de idolatria, ao contrário, foi um sinal de esperteza dos primeiros cristãos.


Poderíamos nos perguntar o porquê deles fazerem isso, e a resposta é bem simples: os primeiros cristãos eram perseguidos porque acreditavam em Jesus Cristo e por causa disso viviam escondidos nas catacumbas (túmulos) para realizarem seus cultos. Foi nas catacumbas que se realizaram as primeiras missas. Com o tempo, esses cristãos se espalharam pelo mundo e a perseguição também, de tal sorte que eles não podiam se declarar cristãos nos lugares públicos, senão seriam presos e mortos. Acontece que o número de cristãos cresceu tanto que eles já não se conheciam entre si e, assim, ‘bolaram’ uma forma de se reconhecerem no dia-a-dia, através de uma imagem, no caso o peixe. Desta forma, a figura do peixe para os primeiros cristãos passou a representar Cristo e simbolizava a verdade fundamental da fé cristã.


Os primeiros cristãos falavam a língua grega, não o grego clássico, mas um grego bem popular (bem do povão), e "peixe" em grego, escreve-se ixtís. Observe-se que a palavra peixe em grego é formada por 5 letras. Cada uma dessas letras corresponde a inicial de uma palavra em grego. Vejamos: Iesus (Jesus); Xristós (Cristo); Teú (de Deus); Ïïós (Filho); Sotér (Salvador)


Veja que as cinco primeiras letras de cada palavra formam a palavra peixe em grego. Portanto a figura do peixe para os primeiros cristãos representava uma verdade teológica (Jesus Cristo de Deus Filho Salvador).


Quando se encontrava a figura de um peixe, era sinal de que ali havia cristãos. O desenho era normalmente feito no chão ou riscado nas mesas. Quando um cristão encontrava-se com um desconhecido e não sabia se ele era cristão ou não, este fazia na areia ou na mesa a metade da figura de um peixe. Se o desconhecido completava a figura do peixe, já iniciada, o cristão que fez o primeiro risco já sabia que estava diante de outro cristão.


A figura do peixe simbolizava Cristo, ou seja, Deus. Consequentemente, aquela imagem não era contra Deus, mas justamente a favor, portanto, uma promoção de Deus. Às vezes, por cima da figura do peixe, os cristãos colocavam a figura de um pão. Simbolizava a Eucaristia, na qual Cristo se encontra presente.


Além da figura do peixe, que identificava os primeiros cristãos, havia também entre eles esculturas.


Existe no museu nacional de Roma uma estátua de Cristo que era venerada desde o ano 350 de nossa era. A estátua mais famosa de Jesus está hoje no museu Lateranense, também na cidade de Roma: é a estátua do Bom Pastor. Jesus sempre foi visto pelos primeiros cristãos como o bom pastor (Jo 10,11) por isso há muitas estátuas feitas pelos primeiros cristãos que faziam com que eles recordassem dele como tal. Há também uma escultura do século V, em relevo, representando Jesus Cristo subindo ao céu. Este relevo está hoje na Alemanha, em Müenchen. Há também muitas catacumbas dos cristãos dos primeiros anos do cristianismo, ornadas com pinturas de Maria, Jesus Cristo e outros personagens bíblicos. Essas catacumbas existem até hoje com todas essas figuras.


Disso tudo pode-se concluir que os primeiros cristão não só fizeram uso das imagens, mas aprenderam com elas e fizeram delas instrumentos permanentes de evangelização e de proclamação da fé em Cristo.


Finalizando nossa reflexão sobre imagens, vamos entendê-las sob a ótica do Dom artístico que nos é dado por Deus.


Entre os diversos dons que existem na humanidade, há os dons da escultura, da pintura. Ser escultor ou pintor é um Dom de Deus. Lembremo-nos aqui da carta de São Tiago que diz "qualquer Dom precioso, qualquer dádiva perfeita vem do alto, desce do Pai das luzes ... (Tg 1,17). Quando Deus dá um Dom para alguém, ele deseja que a pessoa use esse Dom para o bem.


Queremos lembrar agora as centenas e milhares de artistas escultores ou pintores, que no decorrer da história e nos tempos de hoje, utilizaram e utilizam o Dom que Deus lhes deu, para Sua santificação e para o encanto da humanidade. Quem não conhece as esculturas do Aleijadinho, representando as muitas figuras bíblicas ? (aliás, elas foram proclamadas como patrimônio da humanidade, pela UNESCO em 1985). Quem não admira as esculturas de Michelângelo como, por exemplo, a Pietá, ou a famosa estátua de Moisés que de tão perfeita parece falar ? Essas esculturas estão expostas em Roma e atraem milhares de pessoas que as admiram e, ao mesmo tempo, enaltecem a Jesus Cristo e a outros personagens bíblicos.


Recordemos a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. É a maior estátua do mundo no gênero ! Será que as pessoas que vão até o Corcovado para admirar essa obra humana não pensam na pessoa do nosso Redentor, Jesus Cristo, ao vê-la?


Nas praças públicas, museus, escolas, residências, em todos os continentes, existem hoje milhões de pinturas desenhos e esculturas que revelam o gênio humano. Essas esculturas não são deuses. São expressões da arte e da cultura. São obras aplaudidas por multidões e fruto do talento, que milhares receberam de Deus.


Fazer esculturas sacras é um Dom que deve ser divulgado e certamente Deus aprova que seu Filho Jesus Cristo seja propagado através das imagens. O apóstolo Paulo mesmo no diz: "o que importa é que Cristo seja anunciado ..." (Fl 1,18). Portanto, cada escultura de arte sacra é um anúncio de Jesus, quer seja do próprio Jesus ou dos seus seguidores mais fiéis, como foram os santos.


Todas imagens de Cristo são uma promoção de Cristo e, assim sendo, são dignas de serem promovidas. Pois assim como um pai sente-se feliz e honrado quando vê seu filho admirado, assim também Deus Pai sente-se satisfeito e honrado ao ver seu Filho querido glorificado por inúmeras imagens.


Concluímos com a definição da palavra imagem, segundo o Novo Dicionário Aurélio, "Verbete imagem: Representação gráfica, plástica ou fotográfica de pessoa ou de objeto" e perguntamos: a fotografia não é uma imagem? Quem não as têm em sua casa? Quem não se vale delas para recordar-se de pessoas queridas que fazem ou fizeram parte de nossas vidas, propiciando-nos momentos de reflexões, às vezes? Poderá ser considerado idólatra alguém que pára para olhar fotos, pinturas, esculturas? Nessa linha de pensamento, será que todo fotógrafo, pintor, escultor, irá para o inferno?


Adorar é culto máximo que se dá só a Deus, reconhecendo-O como único Criador e Senhor do universo. O uso de imagem como recurso pedagógico que nos ajuda a chegar mais perto de Deus, não implica em adoração de imagens, pois o católico consciente sabe que suas orações são dirigidas a Deus e não a uma estátua.


Fonte: http://vini_fernandes.sites.uol.com.br/sercatolico/Tema06.html

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