2 de jul de 2009

A FESTA EID AL-FITR (عيد الفطر)

EID AL-FITR é uma festa islâmica, que significa literalmente "Festa do fim do jejum" que marca o fim do jejum do mês de Ramadan. Celebra-se no primeiro dia do mês de Shawwal, o décimo mês do calendário islâmico, que é um calendário lunar. Ramadan é o mês sagrado no qual os muçulmanos devem abster-se de comer, beber e ter relações sexuais desde antes do nascer do dia até ao anoitecer, o jejum é obrigatório para todo muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental.
Este mês é o mais importante de todos, período de renovação da fé, da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar. Neste período pede-se ao crente maior proximidade dos valores sagrados, leitura mais assídua do Alcorão, freqüência à mesquita, correção pessoal e autodomínio. Aqueles que não podem jejuar (idosos, pessoas que possuem alguma doença, crianças, mulheres no período menstrual e pós-parto) devem pagar por cada dia não jejuado oferecendo um prato de comida à uma pessoa pobre e necessitada.
O festival do Eid al-Fitr celebra o fim deste jejum, bem como a força que os muçulmanos acreditam ter recebido de Deus para poderem executá-lo. À semelhança de outras festas islâmicas inicia-se como o registo visual da lua nova. Este festival é assinalado com uma oração comunal a meio da manhã, geralmente realizada nas mesquitas, em certas ocasiões o espaço ainda é pouco para abrigar tantas pessoas na mesma que se encontra cheia. Se isso ocorrer, as orações podem ser feitas em casa, praça etc.
Antes da oração se iniciar a congregação recita o Takbir, uma "prece" que glorifica a grandeza de Deus. Depois da oração segue-se um sermão (khutba) e uma oração especial que pede perdão e ajuda a todos os muçulmanos do mundo.
É tradição a realização de um grande almoço (o primeiro almoço que os muçulmanos tomam após o jejum diurno de um mês), geralmente na casa de um parente mais velho. As crianças recebem prendas, que podem ser novas roupas ou dinheiro.
O primeiro Eid al-Fitr foi celebrado em 624 pelo profeta Muhammad e os seus familiares e amigos em regozijo pela vitória na Batalha de Badr.

Informação geral sobre o Jejum no mês do Ramadan
O Jejum no mês do Ramadan é obrigatório para todo muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental.
Os versículos a seguir, nos falam da sua obrigatoriedade e explicam porque, quando e como jejuar:

"Ó fiéis, vos está prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temáis a Deus. Jejuareis determinados dias; porém, quem de vós não cumprir o jejum, por achar-se enfermo ou em viagem, jejuará, depois o mesmo número de dias. Mas quem, só à custa de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um necessitado; porém, quem se empenhar em fazer além do que for obrigatório, será melhor. Mas, se jejuardes, será preferível para vós, se quereis sabê-lo. O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar no dentro deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Deus por Ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais." (Alcorão Sagrado 2:183-185).

Como podemos observar através da primeira parte dos versículos acima, o Jejum havia sido prescrito aos nossos antepassados.

Como jejuar?
O Jejum no mês do Ramadan é obrigatório para todo muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental.
O Jejum no Islam é o abster-se da ingestão de qualquer espécie de alimentos ou bebidas e ter relação sexual, da alvorada desapontar (ou com outra palavra "desde o raiar da aurora") até o pôr-do-sol, durante o mês do Ramadan (no calendário Islâmico). Caso a pessoa pratique deliberadamente um desses atos, sabendo que o mesmo é pecado: comer, beber ou ter relação sexual, o jejum será anulado.
Caso a pessoa se esqueça e coma ou beba durante jejum, ao se lembrar deverá imediatamente parar a ingestão do alimento ou da bebida e prosseguir o jejum, pois este ainda estará valendo.
Como penitência para este ato (quebrar o jejum), a pessoa terá que jejuar durante 60 dias seguidos, ou dar comida a 60 pessoas pobres. Mesmo que se faça tal cumprimento da pena, terá perdido muitas graças, como disse o profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele):

"Quem quebrar um dia de jejum no Ramadan sem desculpa ou enfermidade, não o substitui o jejuar o resto de sua vida, mesmo que o faça." O sentido desde dito é que jejuar um dia no mês do Ramadan é mais valioso, perante Deus, do que jejuar a vida toda.

O profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), nos aconselhou a fazermos o Suhur, que é uma refeição antes do início do jejum, ou seja, de madrugada, antes do raiar da aurora, a fim de aliviar a fome e a sede, nos auxiliando no cumprimento diário do jejum. Disse o profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele): "Lançai mão do Suhur, porque há benção nesse ato."
O período do jejum poderá ser maior ou menor (já que utilizamos o calendário lunar que é móvel), dependendo do mês e estação do ano correspondente no calendário solar. Assim sendo, jejuamos algumas vezes no inverno, de dias curtos e frios, outras no verão, de dias longos e quentes, e outras vezes em períodos intermediários.

A isenção do Jejum
A isenção do Jejum se dá nos seguintes casos:

1- Quando a pessoa estiver enferma: Caso a pessoa esteja doente, poderá deixar de jejuar até se restabelecer ou, caso o médico ache que o jejum dificulta a cura do paciente, ele também deverá parar o jejum até se curar, devendo repor os dias não jejuados, quando estiver gozando de boa saúde.

2- O viajante: Quando a viajem tiver uma distância longa, fica na escolha do viajante jejuar ou não. Isso vai depender de cada pessoa em analisar se a viajem é cansativa e por isso será uma dificuldade para ele jejuar ou não, devendo, da mesma forma que o item anterior, repor os dias não jejuados.

3- A gestante e a lactante: Caso a mulher esteja grávida, ou amamentando, e temer pelo seu bebê, estará isenta do jejum, devendo, da mesma forma, repor os dias não jejuados, passado o período de gravidez ou de amamentação.

4- O idoso: Que seja fisicamente incapaz de jejuar, para este o jejum não é mais obrigatório, cabendo ao idoso, caso possua condições, dar, para cada dia não jejuado, uma refeição a um necessitado, ou o valor equivalente a esta refeição.

5- A mulher menstruada, ou em resguardo pós parto: Ela não jejuará até que passe este período. Mesmo que ela queira, ou sinta que possa fazê-lo, está-lhe vedado o jejum, e os dias não jejuados, deverão ser repostos, passado o período.

6- No caso de uma doença incurável: A pessoa deixa de jejuar definitivamente, tendo que dar uma refeição a um necessitado para cada dia não jejuado, ou o equivalente ao valor de uma refeição, caso tenha condições para tal, caso contrário não está obrigado a nada.

Alguns benefícios do Jejum para nossa vida espiritual
Logo, podemos ver que o jejum é uma extraordinária escola que nos ensina os mais altos graus de moralidade, cria o amor e a misericórdia nos corações e nos acostuma com a prática da caridade.
O jejuador procura dizer coisas construtivas para os outros e nunca procura causar distúrbios entre as pessoas, procura dizer sempre a verdade e ser leal, não mentir nem difamar os outros, procura cumprir as suas promessas e nunca agir hipocritamente.
Portanto, ao jejuarmos um mês todo ano e colocarmos em prática tais ações, veremos que isso é viável e procuraremos agir dessa forma o ano inteiro.
Logo, temos no jejum um verdadeiro exercício da fé. O ato de ficarmos com fome e com sede não é, em si, adoração, mas um meio para realizarmos a verdadeira adoração.
A verdadeira adoração significa desistirmos de violar a Lei de Deus, por temor e amor a Ele, buscando realizar atividades que O agradem, e refreando-nos quanto às que não O agradam, caso contrário, estaremos apenas causando uma inconveniência desnecessária ao nosso estômago.
Além de ser uma revisão, um balanço das nossas vidas, onde devemos nos perguntar se estamos agindo de acordo com o que agrada a Deus ou não?

Outros benefícios do Jejum

1º- O Jejum fortalece o domínio da razão sobre os impulsos cegos dos sentimentos.
Pois o homem não é guiado apenas por seus instintos, mas também por considerações que previnem seus instintos animais da destruição, orientando-o para uma vida social harmoniosa, decente e refinada. Quem fizer o jejum corretamente, poderá, com certeza, disciplinar os seus desejos apaixonados e colocar o seu ser acima das tentações físicas. Pois, caso o homem, ao invés de controlar esses desejos, fosse controlado por eles, estaria se assemelhando aos animais. Logo, através do jejum, o Islam procura dominar e disciplinar os desejos do homem.

2º- O jejum ensina ao homem a disciplina, a paciência e o autocontrole.
Pois imaginem termos a geladeira cheia de alimentos e bebidas e estarmos sentindo fome ou sede decorrentes do jejum e não abrirmos a geladeira para nos saciarmos por estarmos seguindo as ordens de Deus, resistindo a isso com paciência. Disse o profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele):
"É um mês de paciência, e a paciência leva para o paraíso. É o mês da equidade e abundância para o crente. Aquele que jejua alcança o perdão para os seus pecados."

3º- O jejum integra a comunidade no exercício religioso, criando a sua unidade.
Pois todos os muçulmanos, em momentos iguais, ficam de jejum e em momentos exatos quebram o jejum, criando a efetiva igualdade entre todos, governantes e governados, ricos e pobres, pois todos sentem as mesmas sensações, quer quando estão jejuando, ou seja, a fome e a sede, quer quando quebram o jejum.

4º- O Jejum facilita ao homem o domínio da arte de se adaptar.
Pois ao jejuarmos no mês do Ramadan, podemos perceber a mudança da rotina da nossa vida diária, como, por exemplo, ao invés de fazermos 3 refeições diárias fazemos apenas duas.
Tendo os seus horários também modificados, as horas de sono do tempo normal de descanso são encurtadas, já que acordamos mais cedo para fazermos o Suhur, e etc.
Devido a esta mudança, o homem se adapta naturalmente a um novo sistema e reage a fim de corresponder às novas condições.
Assim sendo, com o tempo nós acabamos desenvolvendo uma força espontânea de adaptação e de superação das dificuldades imprevistas da vida.

5º- O jejum faz com que se crie no homem um sentimento humanitário e de solidariedade.
Pois ao passar, na prática, por certas privações, mesmo que temporárias, sentindo os seus efeitos, tais como fome e sede, o homem conhecerá realmente o significado da fome que assola seus semelhantes e se lembrará dos seus irmãos que talvez passem por isso durante dias, semanas ou até meses.
Esta experiência faz com que nos apresemos mais do que qualquer outra pessoa em procurar satisfazer as necessidades deles.

Os benefícios do Jejum para a nossa saúde
O Jejum, no Islam, não segue o padrão de total abstinência, mas pode ser considerado como um jejum controlado. Os nutricionistas são a favor do jejum controlado, para se obter uma melhor saúde.
Esse tipo de recomendação está de acordo com o jejum no Islam. A total abstinência de comida e de líquido é desencorajada, uma vez que poderá levar a efeitos colaterais danosos, ou à inanição, se prolongada.
O Jejum é uma dieta alimentar, elimina os resíduos e o excesso de umidade dos intestinos, reduz o índice de açúcar no sangue, revitaliza a circulação reduz o colesterol, organiza e regula a pressão arterial, dá descanso ao coração, além de ajudar na cura dos males da pele, uma vez que diminui o índice de água no corpo e no sangue, dentre vários outros benefícios.

Zakat al-Fitr
Após ter jejuado o muçulmano deve oferecer uma "caridade" a uma pessoa pobre. Essa caridade é chamada de Zakat al Fitr, sendo obrigatória à todos que possuem condições financeiras. Antes que o mês de Ramadan acabe, o muçulmano deve pagar uma quantia de cerca de R$10,00 diretamente a uma pessoa pobre, este é o valor minímo, não há um valor máximo. A caridade pode ser paga tanto em dinheiro como em comida. Muitos muçulmanos oferecem cestas básicas.
Aqueles que não possuem condições de pagar o zakat, são aqueles que irão recebe-lô.
No caso de uma família, o chefe, por exemplo o pai que trabalha, paga o zakat para sua esposa e filhos. Dentro do Islam, acredita-se que o jejum do muçulmano fica "preso" entre os céus e a Terra, então somente com o zakat al fitr pago o jejum será elevado até os céus, atráves dessa boa ação. A intenção do zakat é que na festa do "Eid al Fitr", todos estejam felizes e tenham condições de comemorar, comer e celeberar, por isso deve ser pago antes que o Ramadan acabe.

Contribuição da amiga universalista, Mariam Tieppo.

Paz!

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