28 de abr de 2010

RESSURREIÇÃO

Padre Fábio de Melo - Em seu livro e em entrevista a Jo Soares ele demonstra uma visão espiritual da ressurreição, tanto que católicos mais tradicionais estão pedindo restrições num abaixo-assinado ao bispo do padre citado. De lá extraimos este trecho:

Na segunda carta do seu livro, Carta entre amigos, da Ediouro, o Autor desmaterializa a ressurreição de Jesus: “Eles se olhavam e percebiam que Ele não havia ido embora, mas apenas modificara a forma de ficar. Isso retira a necessidade que temos da materialidade da ressurreição. Não importa que haja um corpo encontrado ou um corpo desaparecido. O que a ressurreição nos sugere é muito mais que um corpo material.” (p. 16-17)

O que foi o “Corpo Espiritual” do Cristo?

Foi um termo criado pelo apóstolo Paulo, a fim de realçar que o corpo de Jesus após a ressurreição era diferente do corpo antes da crucificação (antes da morte).

Analisando os Textos Sagrados podemos enumerar algumas características deste “Corpo Espiritual”:

a) Seu rosto muitas vezes possuía traços diferentes. Várias vezes as pessoas O reconheciam pela voz, gesto ou quando Ele “aparentemente” tomava uma feição mais próxima ao Seu corpo em vida.

b) Ele podia aparecer e desaparecer imediatamente.

c) Podia entrar em lugares onde a porta estava fechada.

d) Ele mostrou à Tomé os furos dos pregos em seu corpo, mas mesmo assim caminhava quilômetros normalmente.

e) A fim de provar que tinha um corpo, comeu e bebeu com os discípulos e permitiu que eles O tocassem.

f) Este corpo espiritual obedecia a Sua vontade. Ele desapareceu da vista dos discípulos em Emaús no momento que considerou adequado.

Aleksandr Mien diz a respeito deste tema: “A expressão de Paulo “corpo espiritual” é de fundamental importância para compreender o mistério da Páscoa. Ela quer dizer que ... aconteceu uma vitória do Espírito ...: a carne não foi aniquilada; ela adquiriu uma nova forma, mais elevada, de existência. A pedra da cripta só foi removida para que os apóstolos pudessem ver que o sepulcro estava vazio, que Jesus Cristo agora não conhecia mais limites e barreiras. Atravessando a agonia da morte, ele adquiriu, de modo para nós incompreensível, uma corporalidade espiritual. Paulo fala dela como um grau superior do ser, destinado a todos os homens ...” (Jesus, Mestre de Nazaré pág. 292)

Qual é o mistério deste corpo espiritual? Allan Kardek acredita que ele seja a manifestação do perispírito. Quando morremos, o espírito continua vivo. E continua acompanhado de uma parte material, composta de fluídos mais sutis, que é o perispírito.

Jesus, um espírito altamente evoluído, teria a condição de manipular a matéria de tal forma que Seu perispírito se tornaria visível. (Quem se interessar mais pelo tema pode estudar no Livro dos Médiuns, caps 1 a 8)

Este aparecimento de Jesus após a morte foi uma das partes mais importantes de Sua vida. Pois foi neste momento que Seus discípulos entenderam a realidade do mundo espiritual, as conseqüências morais dos Seus ensinamentos e que a vida continua no além morte. Com estes conhecimentos, eles finalmente puderam entender os ensinamentos do Mestre.

Jesus foi uma criatura muito especial, é por isto que aconteceram coisas especiais com Ele. Se Ele conseguiu realizar tantas proezas quando vivo, muito mais coisas Ele poderia realizar como um espírito livre das amarras do corpo. É por isto que acreditamos que Ele seja o espírito mais perfeito que já habitou nosso planeta.
A conclusão: O corpo espiritual de Jesus possuía algumas características diversas de um corpo normal. O que algumas vezes dificultava sua identificação.
A visualização do corpo e sua consistência física dependia da vontade de Jesus que conseguia controlar a matéria sutil. É por isto que o mesmo pôde simplesmente desaparecer quando assim desejou.

Temos muito ainda o que aprender sobre estes fenômenos que acompanharam a vida do Mestre. Porém, eles são de importância central no entendimento de Sua mensagem. Jesus ensinou praticando e mostrando O Caminho.

Jesus é preso em uma quinta-feira à noite (provavelmente 6 de abril).

É julgado, flagelado e crucificado na sexta-feira.

Sua morte acontece no final da tarde de sexta-feira, um pouco antes de se iniciar o sábado judaico. Neste finalzinho de dia Ele é enterrado às pressas.

Sábado: Ele permanece enterrado.

No Domingo, assim que clareia o dia (9 de abril) ocorre a ressurreição. Aproximadamente 37 horas haviam se passado desde o momento da morte.

Durante todas estas horas o túmulo de Jesus esteve vigiado, dia e noite, por soldados. Quando houve o fenômeno da ressurreição os soldados saíram correndo apavorados. O que teria acontecido neste momento? Porque os soldados, homens treinados, fugiram com medo?

Os Evangelhos relatam que algumas mulheres fiéis foram ao Seu túmulo no alvorecer do domingo. Chegando lá encontraram-no aberto e sem vigias. Um anjo as avisa que Jesus havia ressuscitado. Logo depois o próprio Mestre aparece à Maria Madalena. Depois apareceu a muito mais gente.

Enquanto vivo, Jesus ressuscitou Lázaro. Lázaro voltou à vida em seu corpo físico normal. Voltou à sua vida normal, como pessoa normal. Estudiosos acreditam que o que aconteceu com Lázaro teve o intuito de preparar os discípulos para o que iria acontecer com Jesus. Pois o que aconteceu com o Mestre foi muito mais profundo e difícil de entender. Jesus voltou à vida, mas não no mesmo corpo.

Pela primeira vez, de forma clara, o ser humano podia ter certeza da vida da alma após a morte. A vida continua, de nada adianta o poder terreno. Pois a verdadeira vitória é aquela que acontece frente aos valores espirituais e eternos. A existência do plano espiritual nos dá confiança na vitória final do bem e da verdade.

Até hoje nós cristãos dizemos: Jesus vive. E podemos dizer mais: o espírito vive, nossa vida espiritual é uma realidade.
Foi só após Jesus mandar esta última mensagem é que o movimento cristão pode finalmente tomar corpo e se desenvolver.

“Quando o sábado passou, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé, compraram perfumes para ungir o corpo de Jesus. E bem cedo no primeiro dia da semana, ao nascer do sol, elas foram ao túmulo. ... Mas, quando olharam viram que a pedra havia sido retirada. “ (Marcos 16:1,3)

“Maria (Madalena) tinha ficado fora, chorando junto ao túmulo. Enquanto ainda chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. Viu então dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus tinha sido colocado, um na cabeceira e outro nos pés. Então os anjos perguntaram: “mulher, porque você está chorando?” Ela respondeu: “porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o colocaram.”

“Depois de dizer isto, Maria virou-se e viu Jesus de pé; mas não sabia que era Jesus. E Jesus perguntou: Mulher, porque você está chorando? Quem é que você está procurando?” Maria pensou que fosse o jardineiro, e disse: “Se foi o Senhor que levou Jesus, diga-me onde o colocou, e eu irei buscá-lo.” Então Jesus disse: “Maria”. Ela virou e exclamou em hebraico: “Rabuni!” (que quer dizer: Mestre). E Jesus disse: “Não me segure, porque ainda não voltei para o pai...” (João 20: 11,17)

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